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quinta-feira, 26 fevereiro, 2026
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Haddad defende fim das restrições comerciais unilaterais em carta ao FMI

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Em meio ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enviou uma carta ao Fundo Monetário Internacional (FMI) defendendo o fim das barreiras comerciais unilaterais como forma de preservar o crescimento econômico global.

O documento foi encaminhado durante o encontro de outono do FMI, que ocorre nesta semana em Washington (EUA). Haddad, no entanto, cancelou sua participação presencial no evento para concentrar-se nas discussões sobre alternativas para fechar o Orçamento de 2026, após o revés com a Medida Provisória (MP) que previa aumento da arrecadação.

Na carta, o ministro afirmou que as tensões geradas por medidas unilaterais de comércio — como o recente “tarifaço” americano — têm prejudicado economias em todo o mundo, alimentando incertezas e dificultando o crescimento sustentado.

“A remoção de restrições comerciais unilaterais e a restauração de estruturas previsíveis e baseadas em regras são essenciais para salvaguardar o crescimento global”, escreveu Haddad.

Ele também destacou que a cooperação internacional é fundamental para enfrentar desafios como as mudanças climáticas, o aumento da desigualdade e o endividamento público elevado, problemas que afetam tanto países desenvolvidos quanto emergentes.

O Brasil, que vem sendo diretamente afetado pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, busca negociar uma redução das barreiras que atingem suas exportações.

Ao FMI, Haddad reafirmou o compromisso com a meta inflacionária

Haddad reconheceu que a inflação brasileira segue acima da meta, o que mantém a política monetária em terreno contracionista. Apesar disso, ele reafirmou o compromisso do Banco Central com o controle de preços e com o cumprimento da meta inflacionária.

“A política monetária permanece em território contracionista, reforçando o compromisso inabalável do Banco Central do Brasil em cumprir a meta e reancorar as expectativas”, afirmou.

O ministro também celebrou o aumento da projeção do FMI para o PIB do Brasil em 2025, de 2% para 2,4%, e destacou que a economia nacional demonstra resiliência, mesmo diante das tensões comerciais e do cenário global incerto.

Segundo Haddad, o bom desempenho é reforçado pela queda do desemprego e da desigualdade de renda, ambos nos menores níveis da série histórica.

No campo fiscal, Haddad ressaltou que o ajuste das contas públicas nos últimos anos não se baseou apenas em medidas de aumento de receita, mas também em racionalização de despesas.

“O ajuste fiscal implementado nos últimos anos não se baseou apenas em medidas de alta qualidade do lado da receita, mas também incluiu a racionalização das despesas”, afirmou.

Ele reforçou que o governo continuará utilizando a política fiscal como instrumento de promoção da justiça social, alinhada a um arcabouço fiscal sólido e confiável.

Encerrando a carta, o ministro destacou o papel “insubstituível” do FMI na sustentação financeira global, mas defendeu que a instituição precisa acelerar reformas de governança para continuar cumprindo sua função de forma eficaz.

Para ele, o FMI permanece essencial no centro da rede de segurança financeira global. No entanto, as reformas de governança são “urgentes”, escreveu Haddad.





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