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quarta-feira, 18 fevereiro, 2026
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Haddad critica exigências dos EUA

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (18) que as negociações tarifárias entre Brasil e Estados Unidos estão travadas porque Washington tenta impor uma condição que, segundo ele, é “constitucionalmente impossível” para o país.

Durante participação em um evento promovido pelo Times Brasil e pelo Financial Times, Haddad explicou que os norte-americanos exigem que o Executivo brasileiro interfira em assuntos do Poder Judiciário, algo que não é permitido pela Constituição.

No início deste mês, o governo Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros. A justificativa foi a de que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria sendo alvo de perseguição judicial no Brasil, argumento que gerou forte reação em Brasília.

Para Haddad, a tendência é que o comércio bilateral encolha ainda mais. “As negociações só não ocorrem porque os Estados Unidos estão tentando impor ao Brasil uma solução constitucionalmente impossível, que é o Executivo se imiscuir em assuntos de outro Poder, que é o Poder Judiciário”, afirmou.

Apesar disso, ele destacou que Brasil e Estados Unidos têm grande potencial de cooperação e que o governo Lula deseja ampliar as parcerias em diferentes áreas.

Medidas de apoio às empresas brasileiras

Na semana passada, o governo federal anunciou a primeira fase de um pacote para reduzir os impactos do tarifaço. Entre as iniciativas estão:

  • Linha de crédito de R$ 30 bilhões para exportadoras;
  • Prorrogação de tributos para setores mais afetados;
  • Redução de impostos sobre exportações, com alíquotas de até 3,1% para grandes e médias empresas e até 6% para micro e pequenas.

Além disso, o Brasil enviará a Washington um relatório com informações sobre investigações em áreas como finanças, comércio, meio ambiente, combate à corrupção e propriedade intelectual. O documento é uma resposta ao processo aberto pelos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que chegou a incluir até o PIX e o comércio popular da Rua 25 de Março, em São Paulo, no radar das autoridades americanas.

Haddad afirma que governo cumprirá meta fiscal

Outro ponto abordado por Haddad foi a situação das contas públicas. O ministro assegurou que o governo Lula vai cumprir a meta fiscal não apenas em 2024, mas também em 2026: “Cumprimos no ano passado, vamos cumprir este ano, e também no ano que vem”, garantiu.

Ele lembrou ainda que, mesmo diante do ceticismo, o país conseguiu retomar o crescimento, aumentar a renda da população e sair do Mapa da Fome. Porém, admitiu que o governo encontra dificuldade em cortar gastos, já que a maior parte do orçamento é composta por despesas obrigatórias, que só podem ser alteradas com aval do Congresso.



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