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quinta-feira, 12 março, 2026
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Guerra no Irã afeta 7,5% da produção mundial de petróleo, aponta agência internacional

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A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã está gerando a maior perturbação na oferta de petróleo da história recente. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o conflito afeta 7,5% da produção mundial da commodity e parcela ainda maior das exportações, enquanto o trânsito de petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz caiu mais de 90%.

O impacto imediato é a redução da oferta global em cerca de oito milhões de barris por dia, com reflexos nos preços e na demanda. A AIE revisou para baixo suas projeções de crescimento do consumo mundial em 2026, estimando um aumento de apenas 640 mil barris por dia — o menor desde que as projeções foram apresentadas.

O barril de petróleo Brent superou US$ 100 em Londres após ataques a dois petroleiros e a evacuação do terminal de Omã. Por volta das 7h30 (hora de Brasília), o Brent era negociado a US$ 96,43, alta de 4,84%, enquanto o WTI avançava 4,54%, a US$ 91,21.

Mesmo com rotas alternativas na Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, o fechamento do Estreito de Ormuz obrigou à interrupção de 10 milhões de barris por dia, reduzindo em mais de um terço a expectativa de superávit global da AIE para 2026.

O fechamento também coloca em risco 4 milhões de barris diários de capacidade regional de refino, especialmente para diesel e combustível de aviação.

Medida sem precedentes da AIE

Em resposta, a AIE decidiu liberar 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas — a maior liberação coordenada da história da agência. O diretor-executivo, Fatih Birol, destacou a magnitude da ação coletiva diante de desafios inéditos.

Do total, os Estados Unidos disponibilizarão 172 milhões de barris, com entrega prevista para cerca de 120 dias. Os 400 milhões de barris equivalem a quatro dias de consumo global ou ao fluxo normal do Estreito de Ormuz em 20 dias.

Estratégia iraniana e tensões geopolíticas

O Irã mudou seu foco militar para o bloqueio do estreito, declarando que não permitirá “nem um único litro de petróleo” para os Estados Unidos, Israel e aliados. O porta-voz Ebrahim Zolfaqari advertiu que o preço do barril poderia chegar a US$ 200, elevando a tensão geopolítica e os riscos econômicos globais.

O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o aumento dos preços como uma “questão de guerra” e afirmou que as forças militares norte-americanas estão atacando navios iranianos que ameaçam a navegação. Israel, por sua vez, afirmou que o conflito seguirá “por tempo indeterminado” até alcançar os objetivos da campanha iniciada em 28 de fevereiro.

Ajustes da produção no Golfo

Para contornar o bloqueio, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos aumentaram o fluxo em oleodutos alternativos, transportando petróleo até o Mar Vermelho e Fujairah, respectivamente. A Aramco elevou a capacidade do oleoduto Leste-Oeste para 7 milhões de barris diários, mas a alternativa cobre menos da metade do que normalmente passa pelo Estreito de Ormuz.

Outros produtores, como Kuwait e Iraque, não possuem rotas alternativas e já reduziram a produção. Amin Nasser, diretor da Aramco, descreveu a situação como “a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou”.





ICL Notícias

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