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quinta-feira, 26 março, 2026
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Grupo Fictor e Comando Vermelho usavam a mesma estrutura para fraudar bancos, afirma PF

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A Polícia Federal identificou que o Grupo Fictor e integrantes do Comando Vermelho (CV) utilizavam uma mesma estrutura para lavagem de dinheiro e aplicação de fraudes bancárias. Segundo a investigação, o esquema era baseado na criação de empresas de fachada, movimentações financeiras simuladas e na cooptação de funcionários de instituições financeiras.

A operação, chamada Fallax, foi deflagrada na quarta-feira (25) em três estados e apura prejuízos que podem ultrapassar R$ 500 milhões. Ao menos 15 pessoas foram presas. Entre os alvos está o CEO da Fictor, Rafael de Gois, que teve mandados de busca e apreensão cumpridos.

De acordo com a PF, o grupo estruturou um modelo sofisticado de fraude, que também passou a ser utilizado por células do CV para lavar dinheiro do tráfico de drogas. O sistema envolvia a abertura em massa de empresas fictícias, uso de “laranjas”, adulteração de documentos contábeis e simulação de movimentações financeiras para criar aparência de atividade econômica legítima.

Essas empresas eram registradas com dados padronizados e, inicialmente, cumpriam obrigações fiscais para parecerem regulares. Em seguida, passavam a apresentar faturamento inflado por meio de documentos manipulados, o que facilitava a obtenção de crédito junto a bancos.

Paralelamente, eram realizadas transações artificiais, como pagamentos cruzados e transferências sem origem real, para gerar histórico bancário e dar credibilidade às operações. Com isso, o grupo conseguia acesso a altos limites de crédito e movimentava recursos ilícitos sem levantar suspeitas.

A investigação aponta ainda a participação de funcionários de bancos, que inseriam informações falsas nos sistemas e facilitavam a liberação de crédito e a realização de operações irregulares.

Após um período de funcionamento, geralmente entre um ano e um ano e meio, as empresas eram abandonadas, deixando dívidas e dificultando a recuperação dos valores pelas instituições financeiras.

Segundo a PF, bancos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra sofreram prejuízos milionários.

As apurações começaram em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado com ligação ao crime organizado do Rio de Janeiro. A Fictor, conforme os investigadores, atuava como peça central do sistema, funcionando como núcleo financeiro da operação.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos de até R$ 47 milhões, assim como a quebra de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e jurídicas.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, corrupção e delitos contra o sistema financeiro. As penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de prisão.

Em nota, a defesa de Rafael de Gois informou que apenas um celular foi apreendido e que prestará esclarecimentos após ter acesso ao conteúdo da investigação. Já a defesa de Luiz Rubini afirmou que ainda não teve conhecimento prévio do processo.

A Caixa Econômica Federal declarou que atua em cooperação com órgãos de controle e segurança no combate a fraudes e que segue protocolos rigorosos para identificar e comunicar movimentações suspeitas, reforçando seu compromisso com a transparência e a proteção do patrimônio público.





ICL Notícias

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