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sexta-feira, 27 março, 2026
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Grande mídia e seu velho roteiro, obsessão com Lulinha e blindagem da direita

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Por Carlos Zarattini

O tratamento dado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, escancara um vício antigo da grande mídia, o de perseguir Lula e sua família. Bastou o nome do filho do presidente aparecer, ainda que sem prova direta de participação em irregularidades, para que se armasse uma cobertura barulhenta, carregada de insinuações e movida mais por interesse político do que por critério jornalístico. Quando os fatos atingem figuras da direita, operadores do mercado financeiro e personagens com trânsito no poder, a postura muda, a cobrança perde força, o escândalo esfria e a cautela passa a valer como regra.

Esse contraste ficou evidente nos episódios ligados ao escândalo do Banco Master. Vieram a público informações sobre a proximidade de Daniel Vorcaro com nomes centrais da direita e do sistema político durante a eleição de 2022, com menções a repasses para campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, num total de R$ 5 milhões.

Também surgiram questionamentos sobre a presença de pessoas ligadas ao banco no entorno do Banco Central durante a gestão de Campos Neto, além do registro de visitas frequentes de representantes do grupo à instituição. Trata-se de um conjunto de fatos que exigiria investigação dura, manchetes sucessivas e pressão permanente por esclarecimentos.

No mesmo contexto, quase não houve o mesmo ímpeto para explorar o caso do deputado Nikolas Ferreira, que viajou, durante nove dias de campanha eleitoral em 2022, num jatinho de Vorcaro em apoio a Bolsonaro. Também apareceram suspeitas levantadas por órgãos de controle sobre movimentações financeiras de agentes políticos da direita, além de denúncias sobre a compra de imóvel de alto valor com dinheiro desviado do INSS por meio de empresas de fachada. São episódios graves, com alcance político e institucional, que mereciam cobertura contínua e rigorosa.

Mas a reação da grande mídia esteve longe disso. Não houve cruzada diária, nem sucessão de capas, nem editorial inflamado, nem cobrança incessante dos envolvidos. O padrão foi outro, com mais contenção, mais silêncio e mais blindagem. Já com Lulinha, basta uma associação lateral, uma proximidade social ou empresarial, para que se monte uma narrativa inflada, repetida à exaustão e tratada como se fosse prova.

O problema não está em investigar Lulinha. Qualquer pessoa ligada ao poder ou a negócios de grande porte pode e deve ser questionada. O problema está em transformar um personagem em alvo fixo de suspeição, enquanto outros nomes, citados em episódios mais concretos e mais comprometedores, recebem tratamento brando, protocolar e complacente.

Esse duplo padrão corrói a credibilidade da imprensa. Quando a régua muda conforme o sobrenome, a posição política ou a conveniência editorial, deixa de existir compromisso real com a informação de interesse público. O que se produz é perseguição seletiva, distorção do debate e proteção indireta aos verdadeiros protagonistas de casos obscuros.

*Carlos Zarattini é deputado federal





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