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sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
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Governo Lula teme que método de Trump na Venezuela se alastre pelo continente

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O governo Lula considera que a captura de Nicolás Maduro de Caracas neste sábado pode ser uma indicação por parte do governo de Donald Trump sobre como ele pretende agir no hemisfério Ocidental nos próximos anos.

A análise faz parte das considerações do Palácio do Planalto e será transformada em alertas que, nos próximos dias, serão levados tanto para o Conselho de Segurança da ONU como para conversas bilaterais que devem se proliferar ao longo da semana entre Lula e outros chefes de estado.

Violando as leis internacionais, a ONU e mesmo a Constituição americana, Trump agiu para derrubar um presidente e colocar, no lugar, um acordo que permita que

O governo brasileiro, segundo fontes de alto de escalão, acredita que a Casa Branca irá apostar, num primeiro momento, por uma relação com Delcy Rodrigues, até então a vice-presidente. Também fica estabelecido um acordo para preservar o restante da estrutura chavista no poder. Trata-se, na visão do Planalto, de uma sinalização de que Trump temia a abertura de uma crise interna e, eventualmente, uma guerra civil.

Pelo acordo, fica impossibilitada a existência de um vácuo de poder. Em nome dessa estabilidade frágil, o governo brasileiro interpreta que Trump abriu mão de dar qualquer tipo de apoio para Maria Corina Machado, a líder da oposição. Na coletiva de imprensa no sábado, o presidente americano rejeitou a ideia de que a vencedora do prêmio Nobel da Paz assuma a presidência, alegando que ela “não tem apoio” na Venezuela.

O ICL Notícias apurou que o governo brasileiro ainda tenta entender e colher informações sobre como vai funcionar o acordo entre Trump e Delcy. Também existem dúvidas sobre como o restante do chavismo vai se comportar e o que receberá em troca, para aceitar o pacto.

Para membros do governo brasileiro, um sinal importante foi o alerta de Trump de que poderia realizar uma segunda onda de ataques contra Caracas. Membros do governo Lula interpretaram isso como um alerta: ou o pacto permite que se tenha acesso aos recursos naturais – principalmente o petróleo, ou novas ações deveriam ser esperadas.

Também chamou a atenção da cúpula do governo Lula a ausência completa de referências à democracia ou direitos humanos na Venezuela, um discurso que os EUA vinham usando para colocar pressão.

Para o governo Lula, porém, a ação militar de Trump vai “muito além da Venezuela”. E esse é o ponto central do debate e da construção da posição brasileira sobre a ofensiva americana.

Exitosa, a ofensiva pode fortalecer a ideia de que o método de uma intimidação militar terá resultados na região, sempre que os interesses americanos forem ameaçados. “Pode se transformar em uma metodologia”, alertou um experiente negociador.

O cenário é de que um argumento pode ser forjado contra um governo e, partir disso, uma ação militar seja implementada para derrubar um líder que não atenda aos interesses.

O temor, portanto, é de que a região veja uma reprodução em série desse processo: pressão, chantagem por acesso a recursos ou áreas estratégicas e, em caso negativo, operações para derrubar ou enfraquecer governos.

Brasília destaca que parte dessa pressão já havia ocorrido no começo de 2025 com o Panamá. Sob a ameaça americana, o governo centro-americano abriu mão de seus acordos com a China e Trump abandonou a ideia de um discurso militar.

A Venezuela exigiu algo extra. Mas a questão é como os demais governos da região vão se comportar a partir de agora. Ou adotam uma postura “dócil” com Trump ou podem estar ameaçados.

Especial preocupação é o caso da Colômbia, onde Gustavo Petro já é alvo de sanções e Trump alertou que ele poderia ser o próximo.

No caso cubano, a ausência de recursos naturais é um elemento que pode tirar a ilha das prioridades da Casa Branca. Mas derrubar a estrutura castristas poderia ser uma “vitória simbólica” de Trump para sua base mais radical de extrema direita, inclusive latino-americana.

No caso brasileiro, o Planalto admite que existirá um uso eleitoral por parte do bolsonarismo da prisão de Maduro. A estratégia é a de manter um distanciamento em relação às atitudes do governo venezuelano e insistir no fato de que o Brasil criticou o comportamento de Maduro nas eleições e que jamais chancelou o resultado do pleito.

 



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ICL Notícias

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