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segunda-feira, 23 fevereiro, 2026
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Governo estuda plano amplo para reagir à tarifa de Trump

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Com a aproximação do prazo de 1º de agosto, data estipulada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para início da tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados ao país, o governo do presidente Lula (PT) e representantes do setor produtivo se mobilizam para evitar impactos severos sobre a economia nacional.

Estimativas da Fiemig (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) indicam que, se Trump implementar mesmo a tarifa de 50% a partir de 1º de agosto, a medida pode retirar até R$ 175 bilhões do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em dez anos e comprometer 1,3 milhão de empregos.

Diante desse cenário, a resposta brasileira tem sido desenhada em várias frentes, ancorada principalmente em ações diplomáticas, medidas de mitigação econômica e diálogo com o empresariado. Em vez de partir para retaliações diretas, o governo aposta na continuidade das negociações, embora já prepare um plano de contingência para lidar com os efeitos imediatos do tarifaço de Trump.

Estudo do governo propõe pacote emergencial contra tarifa de Trump

O Ministério da Fazenda, sob liderança de Fernando Haddad, articula a criação de um fundo emergencial com base em crédito extraordinário fora do arcabouço fiscal. O objetivo é oferecer linhas de crédito subsidiadas para empresas que comprovarem perdas de receita em decorrência da tarifa aplicada pelo governo Trump.

O fundo seria direcionado com base em critérios técnicos — por setor ou empresa — para evitar distorções e garantir que o socorro chegue a quem realmente for impactado.

Esse modelo se inspira em ações adotadas durante a pandemia, como o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e o programa emergencial de manutenção do emprego e da renda, que ofereceram suporte financeiro a micro e pequenas empresas e aos trabalhadores formais.

A proposta inclui ainda a diversificação de mercados, com esforços para redirecionar exportações brasileiras a países como México, Canadá e parceiros do Mercosul. O governo considera também medidas mais amplas, como o fortalecimento de acordos comerciais com a União Europeia.

Medidas em estudo pelo governo e empresariado

✔️ Fundo de crédito emergencial: criação via Medida Provisória, com capitalização do Tesouro.
✔️ Comitiva interministerial a Washington: liderada por Geraldo Alckmin, com proposta de acordo bilateral.
✔️ Prorrogação do prazo de início das tarifas: tentativa de adiar em até 90 dias a entrada em vigor das tarifas.
✔️ Tributação de big techs: Lula defendeu aumento de impostos sobre empresas de tecnologia americanas.
✔️ Sensibilização do consumidor americano: ação coordenada entre governo e empresários para mostrar os efeitos negativos ao público nos EUA.
✔️ Fortalecimento de parcerias comerciais alternativas: especialmente com União Europeia, México e Canadá.
✔️ Prevenção a sanções ao sistema financeiro brasileiro: bancos brasileiros já buscam orientação jurídica nos EUA.
✔️ Monitoramento jurídico e diplomático contínuo: contatos informais com técnicos americanos continuam, mesmo sem resposta formal da Casa Branca.

Entre a diplomacia e a pressão

Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, lidera os contatos com o setor produtivo que pode ser mais afetados pelo tarifaço de Trump. Empresários pedem que o governo evite retaliações imediatas e insista no diálogo, mesmo com o cenário político contaminado. A possibilidade de uma comitiva ir a Washington está em aberto, com intenção de apresentar um pacote de concessões que inclua a redução de barreiras comerciais para produtos americanos.

Além disso, o governo pretende usar sua articulação com importadores norte-americanos — especialmente dos setores de carne bovina, café e suco de laranja — para demonstrar que a tarifa também prejudicaria o consumidor dos EUA. Já houve, inclusive, a primeira ação judicial nos EUA, movida por uma distribuidora americana de suco de laranja contra a medida.

A maior crise comercial em 200 anos

A escalada da crise foi marcada por declarações e ações políticas de Washington. O secretário de Estado Marco Rubio anunciou a suspensão de vistos de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), como Alexandre de Moraes, em uma ofensiva que expõe o caráter político do tarifaço. O próprio Trump, em carta enviada a Lula, citou a regulação de redes sociais e alegações de perseguição a Jair Bolsonaro como justificativas para as medidas — além de um suposto déficit comercial com o Brasil, que os dados contradizem.

Ainda assim, o Brasil descarta retaliações diretas a pessoas ou empresas americanas. Haddad reforça que a estratégia brasileira será técnica, calibrada e baseada em custos e benefícios. Entre as hipóteses mais sensíveis, como quebra de patentes ou aumento de tarifas sobre filmes, livros e produtos americanos, o governo tende a evitar movimentos que possam gerar impactos inflacionários internos.

Aval do Planalto: foco no pragmatismo

O presidente Lula tem reafirmado que o Brasil não sairá da mesa de negociação. Segundo o ministro Haddad, o governo está comprometido com a proteção dos empregos e da indústria nacional e, por isso, não pretende responder com a mesma moeda. A palavra de ordem é resiliência diplomática, com foco em soluções que atenuem os danos sem escalar a crise.

Contatos informais entre técnicos brasileiros e o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) seguem ativos, mas aguardam sinal político da Casa Branca.

Enquanto isso, o Ministério da Fazenda segue elaborando cenários e o governo se prepara para adotar medidas rápidas a partir de agosto, caso as tarifas sejam implementadas sem acordo entre os dois países.

 

 

 



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