O governo do Paraguai decidiu suspender as negociações do anexo C do Tratado de Itaipu Binacional e convocar seu embaixador no Brasil, Juan Ángel Delgadillo, para consultas.
A ordem decorre de uma suposta ação hacker da Agência Brasileira de Inteligência contra autoridades paraguaias com o objetivo de acessar dados relacionados a Itaipu.
O governo Lula (PT) negou qualquer relação com o caso, logo depois de uma reportagem do portal UOL noticiar uma operação direcionada à invasão de computadores do Paraguai no fim do governo de Jair Bolsonaro (PL) — que teria continuado no início da atual gestão.
“A citada operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e tornada sem efeito pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato”, argumentou o Palácio do Planalto. A Abin não se manifestou.
O Itamaraty reconheceu que a agência utilizou a estrutura do governo Bolsonaro para dar início à ação hacker, mas afirmou que a operação foi cancelada em março de 2023, quando a chancelaria tomou conhecimento da situação.
A princípio, o Paraguai não havia detectado qualquer sinal de invasão aos seus sistemas, mas passou a cobrar explicações do Brasil logo após o Ministério das Relações Exteriores confirmar a ação.
Segundo o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, “essa é uma violação do direito internacional, uma intromissão dos assuntos internos por parte de um país ao outro”.
Além da suspensão de conversas sobre Itaipu e da cobrança pública ao embaixador, o governo paraguaio chamou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes, para fornecer explicações.
Por:Carta Capital