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terça-feira, 4 agosto, 2026
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General alvo de moção por intimidação assume comando militar em SP

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Por Cleber Lourenço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou o general de divisão Emílio Vanderlei Ribeiro para comandar a 2ª Região Militar, sediada em São Paulo. A mudança ocorre pouco mais de três meses depois de o militar se tornar alvo de uma moção de repúdio aprovada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, após um confronto com o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que acusou o oficial de tentar intimidá-lo dentro da Câmara dos Deputados.

A nomeação foi publicada em decreto presidencial no Diário Oficial da União de 31 de julho. Até então, Emílio ocupava a chefia da Assessoria Parlamentar do Exército, estrutura responsável pela interlocução da Força com o Congresso Nacional. Com o decreto, ele deixa o gabinete do comandante do Exército e assume o comando da 2ª Região Militar, organização responsável pela administração militar no estado de São Paulo e considerada uma das mais relevantes do país.

A movimentação recoloca em evidência um episódio que provocou forte desgaste político para o Exército no primeiro semestre deste ano e levou parlamentares a cobrarem providências do Ministério da Defesa.

O confronto na Câmara

O episódio ocorreu em 29 de abril, logo após uma reunião da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Durante a sessão, Marcel van Hattem fez duras críticas ao comandante do Exército, general Tomás Paiva, chegando a chamá-lo de “frouxo” e de “ajudante de ordens” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o deputado, ao deixar o plenário foi abordado pelo general Emílio Vanderlei Ribeiro, que reagiu às críticas dirigidas ao comandante da Força. O parlamentar afirmou que se sentiu intimidado pela conduta do militar e denunciou o caso publicamente.

A repercussão levou deputados da comissão a apresentarem dois requerimentos. O primeiro, o REQ 58/2026, aprovou uma moção de repúdio à atuação do general. O segundo, o REQ 60/2026, pedia que o Ministério da Defesa retirasse Emílio da chefia da assessoria parlamentar do Exército e adotasse providências disciplinares.

Promessa de providências

O pedido de afastamento, entretanto, acabou retirado de pauta.

Na ocasião, parlamentares relataram que o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, entrou em contato com Marcel van Hattem, pediu desculpas pelo episódio e informou que adotaria providências internas. Diante desse compromisso, os autores decidiram aguardar a atuação do ministério antes de insistirem na votação do requerimento.

A moção de repúdio, por sua vez, foi aprovada pela comissão e encaminhada oficialmente ao Ministério da Defesa.

Até o momento, porém, não há registro público de eventual sindicância, procedimento disciplinar ou conclusão das medidas prometidas pelo ministério. Também não foi localizada resposta oficial ao ofício enviado pela comissão comunicando a aprovação da moção.

Quem é o general Emílio Vanderlei Ribeiro

General de divisão do Exército Brasileiro, Emílio Vanderlei Ribeiro construiu sua carreira principalmente em funções de Estado-Maior e de assessoramento.

Antes de assumir a Assessoria Parlamentar do Exército, ocupou diferentes funções de comando e planejamento dentro da Força. Em março deste ano, foi promovido ao posto de general de divisão, uma das mais altas patentes da carreira militar.

Na chefia da assessoria parlamentar, tornou-se o principal elo institucional entre o Comando do Exército e o Congresso Nacional, acompanhando votações, audiências e reuniões com deputados e senadores.

Agora, passa a comandar a 2ª Região Militar, responsável pela administração de organizações militares, serviço militar, logística, patrimônio, saúde e mobilização no estado de São Paulo, uma das estruturas mais importantes do Comando Militar do Sudeste.

Nomeação faz parte de mudanças na cúpula

O decreto que nomeou Emílio integra uma ampla rodada de movimentações promovidas pelo governo federal nos altos comandos das Forças Armadas.

O ato também transferiu outros oficiais-generais para diferentes comandos e órgãos militares. Por isso, a documentação oficial não permite concluir que a escolha do general para São Paulo tenha relação direta com o episódio envolvendo Marcel van Hattem.

O fato novo, porém, é que a mudança ocorre depois de um dos maiores desgastes públicos enfrentados pelo militar durante sua passagem pela assessoria parlamentar do Exército e sem que o resultado das providências prometidas pelo Ministério da Defesa tenha sido divulgado.

O ICL Notícias procurou o Ministério da Defesa e o Exército para informar se foi instaurada alguma investigação interna sobre o episódio, qual foi seu eventual resultado e se a movimentação do general já fazia parte do planejamento regular de transferências da Força antes do confronto com o deputado. Caso haja manifestação, a reportagem será atualizada.





ICL Notícias

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