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segunda-feira, 2 março, 2026
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‘Gasolina mais cara e mais inflação’, diz Trevisan sobre impactos da guerra no Oriente Médio

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O historiador, cientista político e analista Leonardo Trevisan participou do ICL Notícias – 1ª edição desta segunda-feira (2) para explicar a situação da guerra no Oriente Médio, entre Israel, Estados Unidos e Irã. O conflito se ampliou no início desta semana com ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano, e uma ofensiva por parte do Irã em toda a região.

A intensificação do conflito ocorre depois de o governo iraniano ter desmentido a versão de Donald Trump de que as novas autoridades em Teerã teriam tentado negociar uma saída diplomática para a crise. Segundo o Crescente Vermelho, 555 pessoas morreram no Irã desde que EUA e Israel iniciaram seus ataques, no sábado.

O conflito se iniciou após Estados Unidos e Israel lançarem um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado (28). Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas.

O analista Leonardo Trevisan avaliou que a situação geoeconômica ligada ao Estreito de Ormuz,  rota estratégica por onde circulam cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente, é um dos principais fatores de preocupação global nesta fase da guerra.

“Estamos lidando com crianças, pessoas que olham para o mundo apenas pelo que desejam ou necessitam, como um bebê. É preciso ter adultos na sala. Ormuz foi fechado e os resultados já podem ser sentidos nas bolsas e nas reações dos preços do petróleo. Já é dado como certo que até amanhã o petróleo deve estar em US$ 80 o barril, e vários operadores, inclusive aqui no Brasil, já trabalham com a hipótese de petróleo a US$ 100”, disse Trevisan.

Trevisan ressaltou os impactos diretos que a escalada pode ter no preço da gasolina e na inflação: “Nós estamos falando de aumento da gasolina na bomba, que aumenta a inflação. Pergunta ao presidente Joe Biden como ele perdeu a eleição — foi a inflação que ganhou. O americano vota com o bolso; a economia determina muito das situações. Para esse quadro, a gente precisa olhar com alguma cautela.”

Imagem de satélite mostra o Estreito de Ormuz 'Gasolina mais cara e mais inflação', analisa Trevisan sobre impactos da guerra no Oriente Médio
Imagem de satélite mostra o Estreito de Ormuz

O Irã alertou embarcações a evitarem a travessia da região do Estreito de Ormuz, o que levou à paralisação prática do tráfego na entrada do estreito. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que três petroleiros foram atingidos por mísseis e estariam em chamas — informação ainda não confirmada oficialmente por Estados Unidos ou Reino Unido.

Para analistas do setor, o fechamento efetivo da rota amplia o risco de choque de oferta. O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais sensíveis do comércio global de energia, conectando produtores do Golfo ao restante do mundo.

Irã se transformar em uma nova Líbia?

Trevisan descartou a comparação simplista entre o Irã e a Líbia, afirmando que a dinâmica política e institucional dos dois países é completamente diferente: “Eu tenho muita dúvida de que isso aconteça. São histórias completamente distintas. A Líbia tem relação com colonialismo italiano e um colapso institucional que não é o caso do Irã”.

“O Irã é um país centralizado, com comando. É infantil pensar que matar todas essas lideranças vai transformar tudo. Antes dos ataques, o aiatolá montou esquemas de substituição. Não adianta matar um que eles vão colocar outro”, completou.

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Ataque militar a Teerã em 2 de março de 2026. (Foto: Atta Kenare/ AFP)

Situação da China e ausência de plano claro

Trevisan também abordou a relação entre os EUA, o conflito e a posição de potências como China: “O que tem de mais sensato hoje nos EUA é o que sobrou de liderança militar no Pentágono. Eles fizeram sucessivos avisos de que não estavam preparados para essa ação e precisariam de mais tempo. Os militares se perguntam: ‘o que vocês efetivamente querem?’. É a ausência de qualquer plano. O único plano que existe é baseado em narrativas eleitorais”.

Objetivos políticos

Segundo Trevisan, parte da impulsão para a ação militar teria sido motivada por objetivos políticos, incluindo a pressão de Benjamin Netanyahu para reforçar apoio em um ano eleitoral em Israel. “Netanyahu foi à Casa Branca pressionar Trump, e há também o caso Epstein e outras questões que podem aparecer. Nós estamos falando de uma situação que pode colocar fogo no Oriente Médio inteiro.”

 





ICL Notícias

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