O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, esteve nesta terça-feira 1º na Câmara dos Deputados, onde participou da cerimônia de comemoração dos 60 anos da autoridade monetária.
Na sessão solene, Galípolo disse que o debate sobre a taxa de juros é legítimo, afirmou que o Brasil tem “subsídios cruzados perversos e regressivos” e avaliou que, mesmo com a Selic elevada, a economia nacional apresenta um “dinamismo excepcional”.
Para Galípolo, “é absolutamente bem-vindo que a discussão de política monetária vá ganhando cada vez mais espaço no debate público”.
“Isso é essencial, é importante e é óbvio que ela é legítima, especialmente por quem foi democraticamente eleito e tem todo o direito. Cabe à gente do BC explicar o que faz e por que faz. É nossa obrigação.”
A taxa básica de juros no Brasil está em 14,25% ao ano, em meio a um novo ciclo de alta. Como forma de tentar conter o avanço da inflação, os integrantes do Comitê de Política Monetária já indicaram que os juros devem continuar a subir.
O presidente Lula (PT) e a equipe econômica se tornaram críticos habituais do estágio da Selic nos tempos da presidência de Roberto Campos Neto no BC, mas, neste ano, o Palácio do Planalto tem evitado criticar o novo comando da autoridade monetária.
Na sessão desta terça, Galípolo declarou que o País tem “subsídios cruzados perversos e regressivos”, o que diminuiria a fluidez da política monetária. Isso se deve à condição de que alguns grupos conseguem fazer uso de exceções para pagar menos tributos, segundo o presidente do BC.
“É importante a gente normalizar a política monetária, para poder superar um ‘equilíbrio’ que a gente montou, onde alguns grupos conseguem exceções para poderem pagar menos, enquanto uma grande maioria é obrigada a pagar mais em compensação”, disse.
Assim, segundo o economista, “os ônus e os bônus” das decisões econômicas da sociedade precisariam ficar mais evidentes. É nesse ponto, segundo Galípolo, que o BC deve trabalhar a sua comunicação.
“É natural”, disse. “Todo mundo gostaria de ter o melhor dos dois mundos. Todo mundo gostaria de poder ter o benefício dos dois lados, mas cabe à gente do Banco Central explicar e poder transparecer e discutir melhor essas questões com a sociedade.”
Por:Carta Capital