Por Cleber Lourenço
A Linha 8-Diamante, operada pela ViaMobilidade, voltou a apresentar uma falha grave na manhã desta segunda-feira (3). Um trem precisou ser evacuado após uma grande quantidade de fumaça tomar conta da composição nas proximidades da estação General Miguel Costa, na Grande São Paulo. Embora ninguém tenha ficado ferido, o episódio recolocou em evidência o histórico de problemas da concessionária e reacendeu os questionamentos sobre a qualidade do serviço prestado desde a privatização da linha.
Segundo a ViaMobilidade, a fumaça foi provocada por um superaquecimento na caixa de acoplamento do motor. A empresa informou que a composição foi retirada de circulação e encaminhada ao Pátio de Carapicuíba para manutenção, enquanto outro trem foi colocado em operação.
Vídeos gravados por passageiros mostram fumaça saindo da parte inferior do trem e usuários deixando a composição após a interrupção da viagem. O incidente é mais um em uma sequência de ocorrências que têm marcado a operação da Linha 8 desde que ela passou a ser administrada pela iniciativa privada, em janeiro de 2022.
Somente neste ano, a linha já acumulou pelo menos seis falhas de grande repercussão. Em março, passageiros precisaram caminhar pelos trilhos após uma pane em uma composição. Dias antes, uma falha na rede aérea havia provocado atrasos e alterações na circulação.
Em fevereiro, outra pane interrompeu a circulação entre Barueri e Santa Terezinha por várias horas, obrigando a implantação do sistema PAESE, com ônibus para transportar os passageiros. Em janeiro, a operação também foi afetada pela queda de um equipamento de energia e por outra falha registrada logo nos primeiros dias do ano.
Os episódios se somam a um histórico que acompanha a concessão desde o início. Nos primeiros meses de operação da ViaMobilidade, passageiros enfrentaram sucessivas panes elétricas, falhas de sinalização e interrupções do serviço. Em 2023, a situação atingiu o momento mais crítico, com três descarrilamentos em poucos meses, além de outras ocorrências que provocaram paralisações e longos atrasos.
A sucessão de problemas levou o Ministério Público de São Paulo a defender, naquele ano, a rescisão do contrato de concessão. Para os promotores, a repetição das falhas colocava em dúvida a capacidade da concessionária de prestar o serviço com segurança e regularidade.
Mesmo após investimentos anunciados pela empresa, os problemas continuaram sendo registrados em 2024 e 2025. As ocorrências diminuíram em relação ao período mais crítico, mas panes elétricas, falhas operacionais e interrupções seguiram afetando a rotina dos passageiros.
Em 2026, o Ministério Público voltou a abrir um inquérito civil para investigar a operação das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. A apuração reúne informações sobre descarrilamentos, evacuações, panes recorrentes e também busca verificar se a fiscalização exercida pela Artesp foi suficiente diante da repetição dos problemas.
O incidente desta segunda-feira reforça uma realidade que se tornou frequente para quem utiliza a Linha 8. Quase quatro anos e meio após a privatização, episódios de falhas operacionais continuam ocorrendo com regularidade, mantendo a concessão sob questionamentos e alimentando o debate sobre os resultados efetivamente entregues pela transferência da operação à iniciativa privada.



