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sábado, 18 abril, 2026
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Fintech citada em esquema de MC Ryan é investigada no caso Master

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Por Tulio Kruse

(Folhapress) – Uma empresa investigada pelas suspeita de fraudes do Banco Master na venda de carteiras de crédito para o BRB (Banco de Brasília) é citada no inquérito que trata dos indícios de lavagem de dinheiro por empresas ligadas ao artista Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan. Ele e parceiros do ramo artístico são suspeitos de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo a Polícia Federal, a empresa Cartos Sociedade de Crédito Direto SA forneceu infraestrutura tecnológica bancária a uma firma que integra a rede de lavagem de dinheiro de apostas ilegais, falhando em procedimentos obrigatórios de checagem de informações sobre os clientes.

Ao mesmo tempo, a Cartos é também investigada nas operações Compliance Zero e Sem Desconto, que investigam suspeitas no Master e descontos indevidos no INSS, respectivamente, aponta um documento da PF apresentado à Justiça Federal. A citação à empresa no inquérito da Operação Narco Fluxo, que mira MC Ryan, foi noticiada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

MC Ryan – Foto: Reprodução/Internet

A Cartos, uma empresa de serviços financeiros (ou fintech), firmou contrato com a Broker Platinum, que declarou ser uma corretora de títulos e valores mobiliários e ter capital social de R$ 10.000. Segundo a PF, trata-se de uma corretora de fachada que integra uma rede de empresas que recebem dinheiro proveniente de apostas ilegais.

Os investigadores afirmam que a Cartos pode ter atuado com “cegueira deliberada” ao assinar contrato com a Broker Platinum, uma vez que ela não é autorizada pelo Banco Central nem pela CVM (Comissão de Valores Imobiliários) para atuar ramo, e declarou capital considerado irrisório.

Segundo o documento, a Cartos enviou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) um relatório sobre a Broker Platinum de “caráter notoriamente raso e contraditório”.

“A falsidade poderia ser facilmente constatada pela instituição financeira [a Cartos] mediante uma simples consulta pública de autorização junto ao Banco Central”, diz a PF. “A Cartos aparenta ter falhado gravemente nos procedimentos obrigatórios de Conhecimento do Cliente (KYC), acatando dados cadastrais manifestamente viciados e incompatíveis.”

Em nota, a Cartos afirmou que “não tem conhecimento sobre a existência de qualquer processo, investigação ou medida de busca e apreensão relacionada aos fatos recentemente mencionados, tampouco foi formalmente procurada por autoridades”. Disse também que “não tem qualquer vínculo, direto ou indireto, com atividades ilícitas, repudiando veementemente qualquer insinuação nesse sentido”.

Na Operação Narco Fluxo, a Broker Platinum aparece como uma das firmas do “núcleo de processadoras de pagamento de alto risco” do esquema. Segundo a PF, ela fornecia uma conta bancária intermediária para o fluxo de dinheiro e era focada na pulverizarização dos pagamentos – etapa importante para evitar a fiscalização dos órgãos de controle.

A Broker foi aberta em novembro de 2023. A PF aponta que a empresa recebeu “volume massivo e bilionário de depósitos pulverizados” de vítimas de estelionato digital, para depois repassá-los de forma fracionada a empresas ligadas a MC Ryan. Relatório do Coaf aponta, por exemplo, que um assessor e amigo do artista recebeu R$ 100 mil num período de dois meses da Broker.

O advogado Felipe Cassimiro, que defende o artista, afirma que todos pagamentos ao artista são lícitos e que ele pode comprovar a regularidade de suas transações financeiras. Ele afirmou que a posição de MC Ryan como “artista nº 1” do funk brasileiro é o motivo para os altos valores que recebeu.

A reportagem entrou em contato com a Defensoria Pública da União, que representou uma sócia da Broker Platinum em audiência de custódia após a prisão na última quarta-feira (15). A assessoria do órgão afirmou que o defensor não poderia se manifestar em nome dela, uma vez que ela já havia constituído advogado particular, e não repassou o contato do advogado.

Caso Master

No caso Master, a Cartos aparece como participante de uma operação para vender carteiras de crédito para o banco de Daniel Vorcaro. Documentos mostram que a Cartos firmou acordo com a consultoria Tirreno para essa venda de carteiras ao Master. Henrique Souza e Silva Peretto, que também foi alvo de prisão temporária, foi sócio da Cartos e fundou a Tirreno.

Como mostrou reportagem da Folha, a Tirreno firmou acordo para usar a estrutura da Cartos na operação com carteiras que seriam vendidas, por sua vez, pelo Master ao BRB. O depoimento de Vorcaro à PF aponta que a Cartos negou ter cedido as carteiras de crédito à Tirreno. Ou seja, a suspeita é que a transação na verdade tenha sido baseada em créditos falsos.

A fintech afirmou que sua atuação “é sustentada por controles robustos de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo (PLD/FT), bem como por rigorosas políticas de governança e gestão de riscos, assegurando segurança jurídica e operacional a parceiros e ao mercado”.

Em relação ao seu contrato com Broker Platinum, a Cartos afirmou que “não tem conhecimento de eventual utilização de contas por correntistas para a prática de atos ilícitos, razão pela qual entende figurar como possível vítima na situação”.





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