24.3 C
Manaus
sábado, 16 maio, 2026
InícioBrasilFilme sobre Bolsonaro teve denúncia de assédio moral

Filme sobre Bolsonaro teve denúncia de assédio moral

Date:


A produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi alvo de denúncias de trabalhadores do setor audiovisual que participaram das gravações realizadas em São Paulo no ano passado. Relatos reunidos pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated-SP) apontam episódios de assédio moral, agressões físicas, alimentação inadequada e revistas consideradas abusivas nos sets de filmagem.

As denúncias constam em um relatório elaborado pela entidade sindical a partir de reclamações registradas por figurantes e técnicos envolvidos na produção do longa. Segundo o documento, os trabalhadores relataram receio de recorrer à Justiça por medo de retaliações profissionais.

O filme é estrelado por Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo, e dirigido por Cyrus Nowrasteh. A produção é assinada pela GOUP Entertainment, empresa sediada na Califórnia.

De acordo com os relatos enviados ao sindicato, os problemas começavam já na entrada das locações. Trabalhadores afirmam que seguranças realizavam revistas íntimas consideradas constrangedoras. Um dos profissionais teria registrado boletim de ocorrência após relatar agressão física durante as gravações.

Os denunciantes também apontaram diferença de tratamento entre integrantes estrangeiros da produção e os figurantes brasileiros. Enquanto o elenco principal teria acesso a refeições completas em sistema self-service, os trabalhadores brasileiros recebiam apenas um kit lanche durante jornadas superiores a oito horas.

Comida estragada

O relatório menciona ainda reclamações sobre comida estragada fornecida no fim de outubro de 2025, além de atrasos de pagamento, contratação informal por grupos de WhatsApp e cachês abaixo dos valores considerados adequados pelo sindicato.

Segundo os relatos, figurantes recebiam R$ 100 por diária, com desconto de R$ 10 referente ao transporte em vans da produção. Já integrantes do elenco de apoio teriam recebido R$ 170. O Sated-SP afirma que os valores praticados no mercado são superiores.

O documento também aponta suspeitas de irregularidades na contratação de profissionais estrangeiros. De acordo com o sindicato, não teriam sido apresentados contratos nem comprovantes de recolhimento de taxas obrigatórias previstas na legislação do setor audiovisual.

Segundo o Sated-SP, os relatos deverão ser analisados pelas autoridades competentes.

Procurada pelas reportagens do G1 e da Folha de S.Paulo, a GOUP Entertainment não respondeu aos questionamentos sobre as denúncias até a publicação das reportagens.

Dinheiro de Vorcaro

As acusações vieram à tona após a divulgação de informações sobre o financiamento do longa. Reportagem do The Intercept Brasil revelou mensagens e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre recursos destinados à produção.

Segundo a publicação, Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões ao projeto entre fevereiro e maio de 2025. Em nota, Flávio Bolsonaro confirmou que buscou apoio financeiro para o filme, mas negou ter recebido benefício indevido. Já a produtora afirmou que não recebeu recursos do empresário nem de empresas ligadas ao Banco Master.

Descrito pelos produtores como um thriller político inspirado na campanha presidencial de 2018 e no atentado sofrido por Bolsonaro durante o período eleitoral, “Dark Horse” ainda busca distribuição internacional e tem estreia prevista para setembro.





ICL Notícias

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile