[ad_1]
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
A cinco dias antes da realização da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) 2025 na Praça das Artes, a Fundação Theatro Municipal (FTM) de São Paulo enviou um ofício comunicando o cancelamento do evento. O ofício de cancelamento, enviado na noite da sexta-feira (1º), rompe contrato assinado há 5 meses, que previa, no caso de rescisão, a necessidade de um aviso de 15 dias anteriores.
O ofício da FTM deixa claro o incômodo com os temas abordados pela festa. O diretor da FTM, Abrão Mafra, afirmou que o “evento possui conteúdo e finalidade de cunho político-ideológico”. Para a organização do evento, “o atual lobby sionista acionado por diversas instituições contra a questão palestina também se estende aqui. Destacamos a mesa da FLIPEI que discute a questão palestina com a presença do historiador judeu Ilan Pappé, um dos mais renomados intelectuais do mundo sobre o tema e que vem sendo perseguido desde que chegou ao Brasil, e o militante Thiago Avilla, que estava na flotilha humanitária interceptada por Israel.”
“Os políticos que se calam diante de ataques estrangeiros contra o Brasil e que batem continência retórica para a bandeira dos Estados Unidos em nome de uma suposta liberdade mostram sua verdadeira cara quando cancelam a mais importante feira literária do país”, afirma o jornalista Leandro Demori, que participa da mesa “Os desafios para derrotar a extrema direita nos próximos anos”, com o deputado Glauber Braga e a vereadora Silvia Ferraro.
Para o historiador Lindener Pareto: “A decisão de revogação de uso da Praça das Artes por parte do Abraão Mafra de Oliveira Lopes não é apenas ilegal, uma vez que o contrato já estava devidamente assinado, mas um ato de censura contra a livre manifestação da arte, do debate e da cultura. Censura que lembra os piores momentos da Ditadura Militar (1964-1985). Não nos iludamos, o ato de censura não é apenas contra os nomes e os debates que tem denunciado o genocídio em Gaza, mas também parte de um projeto político municipal extremamente autoritário, que quer calar vozes críticas e dissonantes e tornar o debate cultural de uma das maiores cidades do mundo num debate medíocre e loteado pelos interesses escusos dos que hoje a governam.” Lindener é mediador na mesa “Privatização do espaço público, crise urbana e racismo ambiental”, com as presenças de Nabil Bounduki, Ediane Maria e Jerá Guarani.
Bolsonaristas atacam rojão em barco palco-livraria da Flipei em 2019 por serem contrários a programação do evento (Foto: Fotos Incríveis)
Ataque à Flipei não é caso isolado
De acordo com a organização do evento, o ataque não é um episódio isolado. “Desde 2019, setores da extrema direita tentam cancelar a Flipei, com episódios de repressão e cerceamento. Em 2023, parte da programação em Paraty foi impedida pela polícia — os argumentos eram diversos e iam de incômodo com a bandeira do MST a debates sobre segurança públicaetc.. Agora, em 2025, vemos uma escalada de censura política e ideológica explícita novamente.”
Nesta edição, a organização também denuncia a derrubada de emendas dos parlamentares Luana Alves, Nabil Bonduki e Silvia Ferraro da Bancada Feminista, que garantiriam apoio estrutural à FLIPEI (geradores, palco, sonorização, iluminação, banheiros, seguranca etc.) por decisão do prefeito Ricardo Nunes. Uma delas, do vereador Nabil Bounduki, já aprovada e liberada pela Secretaria de Turismo e pela Secretaria da Fazenda, foi derrubada na última quinta-feira (30), sem qualquer explicação plausível.
De acordo com a organização, a programação da Flipei 2025 está mantida mesmos dias e horários no Galpão Elza Soares (Al. Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos) e no Sol y Sombra 13 de Maio(R. Treze de Maio, 180, Bela Vista).



