O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (28) que o governo intensificou o monitoramento de fintechs e operações com criptoativos para combater o financiamento do crime organizado no país.
Segundo o ministro, o cruzamento de informações financeiras permitiu identificar movimentações suspeitas ligadas a organizações criminosas, especialmente no setor de combustíveis.
“A gente espera avançar no combate ao crime organizado da maneira que importa, fazendo asfixia financeira”, declarou Durigan a jornalistas.
As declarações ocorreram no mesmo dia em que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal deflagraram uma nova etapa da Operação Carbono Oculto. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis.
Batizada de “Fluxo Oculto”, a operação teve como alvo empresários, operadores logísticos e empresas suspeitas de atuar como laranjas em um esquema de lavagem de dinheiro e movimentação irregular de recursos.
Investigação identificou movimentações suspeitas
De acordo com as autoridades, mesmo após fases anteriores da operação, os investigados continuaram movimentando recursos por meio de novas empresas e diferentes fintechs, demonstrando alto grau de organização financeira.
Em um dos casos investigados, as operações de 56 postos de combustíveis eram concentradas em uma única conta bancária. Os investigadores também apontaram migração de recursos entre diversas plataformas financeiras nos últimos meses.
Ao todo, foram cumpridos cerca de 60 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Dados da e-Financeira ajudaram investigação
Durigan afirmou que a identificação das irregularidades só foi possível após a retomada do monitoramento mais próximo das fintechs, ocorrida depois da primeira fase da Operação Carbono Oculto.
Segundo ele, informações da e-Financeira — sistema da Receita Federal que reúne dados sobre movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas — foram fundamentais para rastrear operações suspeitas.
“Graças a essa informação, cumprindo o objetivo de usar a informação para fazer o combate do fluxo financeiro do crime organizado, outras seis fintechs foram identificadas dentro de um conjunto de operações de organizações criminosas”, disse o ministro.
Além das fintechs, o governo também identificou movimentações envolvendo criptoativos, como criptomoedas, usadas em operações financeiras sem intermediação direta de bancos centrais ou governos.
A estratégia do Ministério da Fazenda é ampliar o controle sobre os fluxos financeiros ligados a organizações criminosas e dificultar o acesso dessas redes a mecanismos de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.



