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sábado, 4 abril, 2026
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Família Bolsonaro bate Calabar e Silvério dos Reis em ´trairagem´

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A participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no evento reaça do CPAC no Texas e a campanha permanente do trumpista Eduardo Bolsonaro nos EUA contra o Brasil ajudaram o país a resolver uma velha dúvida: quem são, definitivamente, os maiores traidores da Pátria em todos os tempos?

De cara, vos digo, Joaquim Silvério dos Reis e Domingos Calabar não chegam nem perto da família de Jair Bolsonaro em matéria de trairagem cívica. Não amarram nem as chuteiras — aqui entramos na atmosfera de Copa do Mundo, senhoras & senhores.

Juro que mantive as minhas dúvidas até outro dia, afinal de contas é muito difícil, historicamente, bater um Silvério dos Reis, por exemplo.

Meus questionamentos acabaram. Sei que, outra vez no poder federal, essa família entregaria terras raras, PIX, Amazônia e o escambau a Donald Trump. Seria a refundação plena do Brasil-Colônia. Pacote completo. Sem direito a devolução no futuro.

Comecei a refletir sobre o tema ainda no ano passado, com a capa de agosto de 2025 da revista Piaui. Estão lá os maiores crápulas não só de Pindorama, mas da humanidade: o Judas Iscariotes, traidor de Jesus Cristo; o marechal Pétain, colaborador dos nazistas na França…  E brasileiros como nossos manjadíssimos Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, por conta da defesa e do entusiasmo em usar o bonezinho do movimento MAGA.

A obra de arte da capa da revista me levou aos velhos livros escolares. Nessa memória, dei de cara com a figura de Joaquim Silvério dos Reis, o delator da Inconfidência Mineira, responsável, em 1789, pelo enforcamento de Tiradentes.

Silvério dos Reis, no entanto, tem o atenuante, epa!, de não ser do nosso país. Nascido em Leiria, Portugal, nunca saiu por aí pagando de patriota do naipe “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Daí, busquei, automaticamente, outro célebre traidor das antigas, o senhor de engenho Domingos Fernandes Calabar, que se bandeou para a tropa holandesa na guerra contra brasileiros e portugueses, em 1632. Este sim, brasileiríssimo de Porto Calvo, Alagoas, terra na época pertencente a Pernambuco.

Mesmo com assento cativo no panteão dos grandes traidores da pátria, Calabar não teria, na comparação dos canalhas, a mesma baixeza dos filhos de Bolsonaro. Repare nos seus recentes discursos no Texas e veja se não tenho razão. Rifariam até a mãe do guarda para retomar a ideia do Brasil como uma gigante colônia tropical.

A família de Jair supera fácil as sacanagens históricas dos traíras do passado.

O traidor na batalha contra os holandeses, é bom que se diga, pode contar com o benefício da dúvida e alguns álibis literários, como vemos na peça “Calabar, o elogio da traição”, de Chico Buarque e Ruy Guerra. O texto, censurado em 1973 pela Ditadura, questiona noções de heróis e renegados.

Desculpa, coronel Silvério dos Reis; perdão, seu Calabar, pelas precoces comparações no calor da história. O que a extrema direita brasileira armou com Donald Trump não tem precedente. Até os generais golpistas de 1964 entregariam menos — por causa do viés nacionalista de alguns deles.





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