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segunda-feira, 9 março, 2026
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Exportações de veículos recuam 28% após queda nas compras da Argentina

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A indústria automotiva brasileira iniciou 2026 com retração nas exportações, refletindo principalmente a crise econômica da Argentina, principal mercado comprador de veículos do Brasil. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que o Brasil exportou 59,4 mil veículos no primeiro bimestre, contra 82,4 mil unidades no mesmo período de 2025. O resultado representa uma queda de 28% nos embarques no início do ano.

Parte importante desse movimento está ligada ao desempenho da Argentina, historicamente o principal destino no exterior dos veículos produzidos no país.

Entre janeiro e fevereiro, os embarques para o mercado argentino recuaram de 15,6 mil para 14,4 mil unidades, uma redução de 7,5%.

Ao site g1, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o movimento acende um sinal de alerta para o setor. “Causa preocupação a retração expressiva nas exportações para a Argentina, mercado que nos ajudou muito nos resultados positivos de 2025”, afirma.

A importância do mercado argentino

O peso do país vizinho para a indústria automotiva brasileira ficou evidente no desempenho de 2025. Naquele ano, as exportações cresceram 32%, alcançando 528 mil veículos enviados ao exterior.

Desse total, 302 mil unidades tiveram como destino a Argentina, consolidando o país como o principal mercado externo para as montadoras instaladas no Brasil. Em relação ao ano anterior, as vendas ao mercado argentino haviam avançado 85%.

Agora, porém, o cenário mostra sinais de desaceleração. Em fevereiro, os emplacamentos de automóveis na Argentina caíram 37% em relação a janeiro, refletindo as incertezas econômicas geradas pelas reformas implementadas pelo presidente Javier Milei.

México e Chile amenizam a queda

Apesar do recuo argentino, outros mercados da América Latina ajudaram a reduzir o impacto negativo nas exportações brasileiras.

O destaque foi o México, onde os embarques cresceram 318% no último mês analisado. As exportações saltaram de 2,2 mil veículos para 9,1 mil unidades na comparação com janeiro.

O Chile também apresentou expansão, com alta de 34,1%, passando de 1,6 mil para 2,2 mil veículos enviados ao país.

Mercado interno mantém estabilidade

Enquanto o desempenho externo perde força, o mercado doméstico apresenta sinais de estabilidade. No primeiro bimestre, as vendas de veículos no Brasil somaram 355,7 mil unidades, praticamente estáveis em relação ao mesmo período de 2025, com leve queda de 0,1%.

Dentro desse resultado, houve crescimento de 1,8% nas vendas de automóveis e comerciais leves, que passaram de 334,1 mil para 340,1 mil unidades.

Já o segmento de veículos pesados enfrentou retração mais acentuada. As vendas de caminhões e ônibus caíram 29,4%, recuando de 22,1 mil para 15,6 mil unidades.

Em fevereiro, a média diária de vendas atingiu 10,3 mil veículos, a segunda melhor marca para o mês na última década, segundo a Anfavea.

Produção menor e avanço dos eletrificados

A produção automotiva também registrou recuo no início do ano. No primeiro bimestre, 338 mil veículos foram fabricados no Brasil, uma queda de 8,9% em relação aos dois primeiros meses de 2025.

Em contrapartida, o segmento de veículos eletrificados segue em expansão. Foram 28,1 mil unidades vendidas no período, das quais 43% são produzidas no país.

O crescimento, na avaliação da Anfavea, indica que os investimentos anunciados pelas montadoras começam a aparecer no mercado.

Juros altos continuam pressionando o setor

Outro fator de preocupação para a indústria automotiva é o nível elevado da taxa básica de juros, uma vez que a alta da taxa básica de juros, a Selic, ao longo de 2025, afetou tanto o consumo quanto os investimentos no setor.

Apesar da expectativa de queda da taxa em 2026, os efeitos positivos devem demorar a chegar ao mercado. Isso porque o impacto das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central costuma levar cerca de sete meses para ser percebido na economia.

A projeção do setor é que os efeitos mais claros de um eventual ciclo de queda de juros só apareçam no início de 2027.

Além dos fatores econômicos, o setor acompanha com atenção o impacto da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia global de suprimentos.

O conflito já pressiona o preço do petróleo e a logística internacional, o que pode afetar custos e prazos de produção. Mas, por ora, ainda não há risco de desabastecimento de componentes para a produção de veículos.

 





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