Espetáculo une música, teatro, dança, coral e imagens documentais para contar a trajetória dos nordestinos que migraram para a Amazônia e a história dos Soldados da Borracha
O musical “Êxodo – Diáspora Nordestina” retorna aos palcos em uma nova montagem, mais imersiva e grandiosa, para contar uma das histórias fundamentais para compreender a formação social e cultural da Amazônia: a trajetória dos nordestinos que deixaram sua terra em busca de novas oportunidades e dos chamados Soldados da Borracha, que chegaram à região durante a Segunda Guerra Mundial. O musical-documentário acontece no dia 11 de setembro, a partir das 19h, no Teatro da Instalação, localizado na rua Frei José dos Inocentes, s/n, no Centro de Manaus.

Em relação à montagem apresentada em 2023, a nova versão apresenta uma transformação completa em sua estrutura cênica, musical e cenográfica. A proposta agora incorpora referências de grandes montagens da Broadway, da ópera e do teatro musical brasileiro, sem abandonar a essência documental do espetáculo.
“Tudo, toda a estrutura cênica, musical, cenográfica, a versão de 2023 ainda era muito experimental, essa nova versão se inspira em montagens da Broadway, em óperas e nas montagens musicais brasileiras, trazendo mais imersão ao história do musical, mas mantendo a essência músico documental, apresentando a história de forma emocional, profunda e respeitosa com a história dos Soldados da Borracha”, pontua Rubson Furtado, do Coro Cênico Akalanto, projeto que assina a produção.
A escolha do formato musical busca transformar uma memória histórica em uma experiência viva. Por meio da música, do teatro, da dança e da memória, o espetáculo aproxima o público de uma trajetória marcada por resistência, trabalho, identidade e construção da Amazônia.

“O musical transforma uma memória histórica em experiência viva. A diáspora nordestina não é apenas uma história de migração, mas de resistência, trabalho, identidade e construção da Amazônia. O palco nos permite contar essa trajetória por meio da música, do teatro e da memória, aproximando o público de uma história que também faz parte da formação cultural do Amazonas”, disse Rubson.
Os Soldados da Borracha no centro da narrativa
Dentro da história apresentada pelo espetáculo, os Soldados da Borracha ocupam um papel central. Milhares de nordestinos foram atraídos para a Amazônia durante o ciclo da borracha, especialmente no contexto da Segunda Guerra Mundial, movidos pela promessa de uma nova vida, mas encontraram isolamento, exploração e condições extremamente difíceis.
“Os Soldados da Borracha são o coração histórico da narrativa. Eles representam milhares de nordestinos que vieram para a Amazônia durante o ciclo da borracha, movidos pela promessa de uma nova vida, mas enfrentaram isolamento, exploração e condições extremamente difíceis. Em Êxodo, suas histórias ajudam a revelar o preço humano da construção da Amazônia e a reconhecer uma memória que por muito tempo ficou à margem da história oficial”, afirmou Rubson.

A narrativa também aborda os dois grandes movimentos migratórios de nordestinos para a Amazônia: o primeiro, relacionado ao ciclo da borracha e à chegada dos Soldados da Borracha durante a Segunda Guerra Mundial; e o segundo, formado pelas migrações posteriores em busca de trabalho, melhores condições de vida e novas oportunidades.
“O musical apresenta dois grandes fluxos migratórios nordestinos para a Amazônia: o primeiro, ligado ao ciclo da borracha, quando muitos vieram como Soldados da Borracha durante a Segunda Guerra Mundial; e o segundo, marcado pelas migrações posteriores em busca de trabalho, melhores condições de vida e novas oportunidades. Assim, Êxodo mostra que a presença nordestina na Amazônia não foi um episódio isolado, mas um processo contínuo de deslocamento, resistência e construção de novas identidades.”
Arte, memória e documentos históricos
Para reconstruir essa trajetória, a equipe realizou um processo de pesquisa baseado em documentos históricos, jornais antigos, livros, documentários, registros sobre os Soldados da Borracha e relatos de seus descendentes. A partir desse levantamento, foi realizado um cruzamento da história oficial com os depoimentos para construção da narrativa musical e cênica.
No palco, diferentes linguagens artísticas se encontram para transformar essa pesquisa em uma experiência sensorial. Música, coral, teatro, dança e imagens documentais atuam conjuntamente para conduzir o público pela história.

“O espetáculo une essas linguagens para transformar a história em uma experiência sensorial. A música e o coral dão voz à memória, o teatro conduz a narrativa, a dança expressa aquilo que muitas vezes não pode ser dito em palavras, e as imagens documentais aproximam o público dos acontecimentos reais. Juntas, essas linguagens fazem do Êxodo uma ponte entre memória, arte e identidade”, explica Rubson.
Um dos registros que mais marcou a equipe durante a pesquisa foi justamente um documento em que um Soldado da Borracha canta “Vou me embora pro Amazonas…”. O canto tornou-se uma das referências afetivas do espetáculo.
Uma trilha sonora que atravessa gerações
A trilha musical reúne obras de nomes importantes da música brasileira, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Maria Bethânia, Luiz Caldas e João do Vale. As canções ajudam a estabelecer uma conexão entre a experiência da migração nordestina e temas universais como saudade, resistência, fé, identidade e pertencimento.
“A escolha desses artistas ajuda a construir uma ponte entre a memória nordestina e a experiência brasileira. Suas músicas carregam temas como saudade, migração, resistência, identidade, fé e pertencimento, que dialogam diretamente com a trajetória dos personagens. Ao reunir diferentes gerações e sonoridades, Êxodo mostra que essa história não pertence apenas ao passado: ela continua viva na cultura, na memória e na identidade de quem veio do Nordeste e ajudou a construir a Amazônia”, reforça Rubson.

A parte musical contará ainda com o Quinteto Asafe, que acompanhará o coral durante o espetáculo. A participação do grupo acontece por meio da parceria e do apoio da Academia de Música Asafe, que se soma à realização do projeto.
Memória para as novas gerações
Mais do que revisitar o passado, “Êxodo – Diáspora Nordestina” busca provocar uma reflexão sobre a contribuição dos nordestinos para a formação social, cultural e econômica da Amazônia, resgatando histórias que por muito tempo permaneceram à margem da memória oficial.
O espetáculo busca despertar pertencimento, respeito e reconhecimento por um povo que ajudou a construir esta terra e cuja trajetória continua viva na cultura e na identidade amazônica. Para a equipe, levar essa história às novas gerações é também uma forma de preservar a memória daqueles que participaram desse processo de construção da Amazônia.
“Contar essa história hoje é reconhecer a contribuição dos nordestinos e dos Soldados da Borracha para a construção da Amazônia e aproximar as novas gerações de uma parte fundamental da nossa identidade. Êxodo busca justamente transformar a memória em conhecimento, para que essas histórias não sejam apenas lembradas, mas continuem sendo contadas”, finaliza Rubson.
“Êxodo – Diáspora Nordestina” é realizado com patrocínio da Sunxtronic e conta com a parceria do Colégio Salesiano Dom Bosco, Paróquia de Sant’Ana, Delares Tecidos e Armarinho e Loja Brilho e Luz. O musical também tem o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas e da Academia de Música Asafe, responsável pela parceria com o Quinteto Asafe, que acompanhará o coral na apresentação.
Os ingressos custam a partir de R$ 25, mais taxa do site, e podem ser adquiridos pelo ShopIngressos, através do link https://shopingressos.com.br/comprar/4805/exodo-a-diaspora-nordestina. Mais informações podem ser repassadas pelo e-mail coralakalanto@gmail.com ou pelo instagram: @akalanto_oficial.



