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quarta-feira, 30 setembro, 2026
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Exército dos EUA e aliados de Trump fazem exercício militar na Amazônia sul-americana

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Cerca de 400 soldados dos Estados Unidos, Argentina, Chile e Peru realizaram treinamentos militares, pela primeira vez na Amazônia peruana. Durante duas semanas, os exércitos desses países tiveram como objetivo preparar suas forças armadas para combates em locais de densa floresta. Mas, num comunicado emitido pelas autoridades norte-americanas, um elemento chamou a atenção: se preparar para a defesa do “Hemisfério Ocidental”.

O termo tem sido usado de forma categórica pelo governo Trump para designar uma região considerada no Pentágono como parte da segurança nacional dos EUA: No final de 2025, os órgãos de defesa norte-americanos redefiniram suas estratégias militares e colocaram a América Latina como parte das prioridades. Militarizar a região, portanto, passou a ser um objetivo declarado.

A Estratégia de Segurança Nacional de Trump deixa isso explícito. O documento promete reativar a Doutrina Monroe, “restaurar a preeminência americana” no Hemisfério Ocidental e impedir que potências de fora da região controlem ativos considerados vitais.

Na semana passada, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump ainda ameaçou com o uso da força na América Latina, caso os interesses americanos fossem prejudicados.

Ainda que o exercício não seja inédito, neste ano todos os participantes representaram governos de extrema direita e que fazem parte do Escudo das Américas, iniciativa criada por Donald Trump para militarizar a região. As atividades ocorreram entre os das 7 e 18 de setembro, na região de San Martín, no Peru. Mas apenas ontem as imagens foram divulgadas nas contas oficiais do Departamento de Guerra dos EUA.

O exercício, conhecido como Southern Vanguard 2026, tinha como meta ainda fortalecer a coordenação entre as forças armadas dos quatro países.

O Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom) destacou, nas redes sociais, que que o treinamento visava fortalecer a interoperabilidade tática entre os países participantes.

Em sua mensagem, o Southcom afirmou que as tropas treinaram para estar preparadas para “fight and win in the jungle” — isto é, combater e vencer em cenários de selva.

O comando dos EUA ainda indicou que a preparação conjunta faz parte do reforço da capacidade coletiva dos parceiros regionais para dissuadir e responder a “ameaças à segurança no Hemisfério Ocidental”.

Num comunicado, o Pentágono explicou que o exercício “oferece às nações aliadas a oportunidade de desenvolver e aprimorar a interoperabilidade e a prontidão por meio de operações combinadas que simulam contingências reais no terreno complexo e desafiador da Selva Amazônica”.

“A edição deste ano é um marco significativo na cooperação militar regional, na interoperabilidade e na prontidão mútua, com o Peru sediando o evento pela primeira vez”, indicou.

Diplomatas que acompanham a movimentação militar dos EUA na região apontam que os termos usados para descrever o exercício coincidem com declarações de autoridades do governo Trump de controle sobre a região.

Numa audiência discreta e sem alarde num subcomitê do Congresso norte-americano, ainda em 17 de março, vice-secretário do Departamento de Guerra dos EUA, Joseph Humire, constatou a dimensão do avanço do governo Trump na região.

“Desde novembro de 2025, o Departamento de Guerra obteve compromissos bilaterais da Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago, expressando nossa intenção compartilhada de cooperar em relação à segurança de fronteiras, ao combate ao narcoterrorismo e à proteção de infraestruturas e ativos críticos contra o controle maligno”, disse.

Ele ainda completou com uma constatação que ecoou pelos corredores dos setores militares e diplomáticos das principais capitais latino-americanas.

“Do Ártico ao extremo sul das Américas, a defesa da pátria dos EUA e a segurança do Hemisfério Ocidental são uma só”, disse. “Em todos os domínios, o Departamento de Guerra está pronto para garantir a defesa de nossa nação, operando com base no princípio da paz através da força. Nossas ações demonstram uma clara determinação em proteger os interesses americanos e fazer cumprir a aplicação moderna do “Corolário Trump” da Estratégia de Segurança Nacional à Doutrina Monroe”, completou.

 





ICL Notícias

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