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domingo, 14 junho, 2026
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Exclusivo: No G7, Brasil discorda de acordos e pode não assinar declarações

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo para Evian, onde participará da cúpula do G7, a partir de segunda-feira. Mas, segundo o ICL Notícias apurou, o Brasil não deve subscrever a maioria dos textos que os negociadores franceses apresentaram para que sirvam de resultado da cúpula.

Lula deve usar o evento para mandar mensagens críticas aos países ricos, principalmente no que se refere ao protecionismos e a decisão de muitos de apostar em armas, e não em desenvolvimento.

Pelas regras do bloco, os países convidados podem comentar os textos que os membros do G7 negociam. Mas não podem vetar qualquer trecho e nem modificar seus artigos. Tradicionalmente, o Brasil tem evitado assinar documentos, portanto, dos quais não teve participação plena em sua elaboração.

Sabendo do risco de que não haja um grande acordo sobre todos os temas, diante da postura de Donald Trump, a França decidiu fragmentar a declaração final da cúpula em sete textos diferentes. Mesmo assim, Emmanuel Macron tem sido criticado por ter enfraquecido vários deles para permitir que o americano viajasse até a cúpula e não rompesse um consenso entre os membros do grupo.

Um dos textos que deve ser assinado se refere às terras raras. A visão do Brasil, porém, é de que se trata de uma espécie de aliança dos países desenvolvidos contra a China. Nos últimos meses, o governo Lula vem insistindo que não aceitará se transformar em uma reserva de mercado para esses governos e que não irá abrir mão de atrair investimentos no setor no país.

Outro texto considerado como “complicado” é a declaração do G7 sobre imigração. Com a Europa seguindo os passos dos EUA para o fechamento de fronteiras e o governo Trump ampliando as deportações, o governo Lula também não considera que o documento atenda à visão que o Brasil tem sobre o aspecto de direitos humanos da imigração.

A França ainda quer apresentar um texto sobre narcotráfico. Mas o tema levanta dúvidas em Brasília.

Tampouco há qualquer disposição do Brasil em assinar a principal declaração do G7 referente à situação econômica global. O texto fala em crescimento desequilibrado. Mas, na avaliação do país, não toca de forma suficiente em temas como o protecionismo comercial, o unilateralismo e a dívida de país em desenvolvimento.

Outro texto que não deve ser assinado pelo Brasil é o de “parceiras internacionais”, considerado como uma tentativa dos países ricos de buscar alternativas ao fato de que cortaram de forma drástica a ajuda ao desenvolvimento nos países mais pobres. A nova proposta, agora, é de que parte dessa ajuda venha pelo setor privado, e não por governos.

Dois textos que circulam entre os negociadores, porém, poderão ser apoiados pelo Brasil. Um deles se refere à proteção de menores nas redes digitais. Na terça-feira, Lula fará parte de um almoço com os líderes das maiores plataformas do mundo e deve falar sobre estatuto digital criado no Brasil. Outro tema que pode ganhar o apoio do Brasil seria uma iniciativa de combate ao câncer. Ambos, porém, aguardam uma definição final por parte da presidência.





ICL Notícias

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