Numa decisão que aprofunda o mal-estar entre Brasil e EUA, o governo de Donald Trump anunciou que concluiu as investigações contra produtos brasileiros e sugere a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros de 25%.
A medida foi tomada depois de uma suposta investigação realizada sobre o comércio bilateral. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva havia se mobilizado para evitar a aplicação do novo tarifaço e o próprio presidente chegou a levar dados aos americanos para alertar que não existiam justificativas para as barreiras.
Para o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, o Brasil atua de forma “injusta” no comércio. Pelos próximos 15 dias, o setor privado poderá dar sua opinião sobre a proposta e uma decisão final cabe ao presidente Donald Trump.
Em 2025, o Brasil havia sido um dos países mais afetados pelo tarifaço de Trump. Naquele momento, porém, a Casa Branca justificou a ação como uma retaliação contra o país por conta da suposta “perseguição” enfrentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por uma decisão da Corte Suprema dos EUA, tarifas impostas por Trump contra dezenas de países foram consideradas como ilegais. A taxas ao Brasil, que chegaram a superar a marca de 40%, caíram para apenas 10%, o menor patamar entre todos os parceiros comerciais.
Para driblar sua própria Justiça, o governo Trump lançou investigações contra dezenas de países, tratando do caso como se fosse apenas um elemento técnico. Dezenas de cartas e reuniões tentaram evitar a volta das tarifas, inclusive com alertas por parte de empresários americanos sobre o impacto que isso teria para a economia doméstica.
A imposição de novas barreiras se soma à decisão, na semana passada, de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas. Para o governo brasileiro, há uma clara intenção por parte da Casa Branca de promover uma ingerência em assuntos domésticos nacionais e, assim, criar uma turbulência que poderia ser favorável à extrema direita no Brasil.
Em 2025, porém, o tarifaço de Trump contra o país foi transformado em um ativo político no Palácio do Planalto. Lula passou a usar o caso como um alerta da “traição” cometida por Flávio Bolsonaro e pelo PL contra os interesses nacionais.



