Um militar das forças especiais dos Estados Unidos foi preso após ser acusado de lucrar mais de US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões) com apostas relacionadas à captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o militar utilizou informações privilegiadas para apostar na plataforma Polymarket antes do anúncio oficial da operação.
O sargento Gannon Ken Van Dyke realizou 13 apostas entre 27 de dezembro e 2 de janeiro, investindo cerca de US$ 33 mil. As apostas foram feitas poucas horas antes de o então presidente Donald Trump divulgar a captura de Maduro.
A movimentação chamou atenção no mercado de previsões e levou à abertura de uma investigação que durou meses. As autoridades concluíram que o militar teria usado dados confidenciais para obter vantagem financeira.
O lucro ocorreu porque ele comprou contratos quando ainda estavam com preços baixos, antes da operação militar se tornar pública. Após o anúncio da prisão de Maduro, os valores dispararam, elevando significativamente o retorno do investimento.
Segundo dados da própria plataforma, o ganho estimado chegou a US$ 410 mil. Isso acontece porque esses contratos pagam US$ 1 quando o evento previsto se concretiza, o que permite altos retornos para quem acerta o resultado antecipadamente.
Os registros mostram que a conta usada foi criada pouco antes das apostas. Inicialmente, o investidor aplicou US$ 96 em contratos ligados a uma possível operação militar dos EUA na Venezuela até 31 de janeiro. Nos dias seguintes, repetiu a estratégia com novos aportes.
Após receber os lucros, o sargento teria transferido a maior parte do dinheiro para uma carteira de criptomoedas no exterior e, posteriormente, para uma conta em uma corretora online recém-criada.
No dia da operação, ele sacou a maior parte dos ganhos. Depois que a chamada Operação Resolução Absoluta foi anunciada, surgiram relatos de movimentações suspeitas na imprensa e nas redes sociais.
A investigação também aponta que o militar tentou esconder sua identidade. Em 6 de janeiro, ele pediu a exclusão da conta na plataforma alegando ter perdido acesso ao e-mail e alterou o endereço vinculado à carteira de criptomoedas para outro, criado semanas antes e que não estava em seu nome.
Van Dyke responde por três acusações de violação da Lei de Bolsa de Mercadorias, cada uma com pena de até 10 anos de prisão. Ele também é acusado de fraude eletrônica, com pena de até 20 anos, e de transação monetária ilegal, com até 10 anos de prisão.
Plataformas como a Polymarket operam com contratos simples de “sim” ou “não”, permitindo que usuários apostem em eventos de diversas áreas, como política, esportes e economia. Quando o evento ocorre, o contrato paga US$ 1; caso contrário, o valor é perdido.



