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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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EUA: ‘Maiores reservas de petróleo do mundo não podem ficar com adversários’

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A reunião de emergência convocada pela Organização dos Estados Americanos para lidar com a crise na Venezuela revelou o profundo racha no Hemisfério e a construção de uma aliança da extrema direita em torno dos objetivos do governo de Donald Trump. Mas também foi palco de um alerta por parte dos EUA de que não permitirá que a maior reserva de petróleo do mundo fique sob o controle de “adversários” de Washington.

No fim de semana, cerca de dez governos já tinham conseguido frear a tentativa da CELAC (Comunidade dos Estados Latino Americanos) de fechar uma declaração conjunta contra a ação militar dos EUA. O veto veio principalmente da Argentina, Paraguai, Equador e El Salvador.

Agora, o cenário se repetiu em Washington, desta vez com a participação do governo americano. O encontro desta terça-feira havia sido convocada pelo Colômbia, Brasil, Chile, Uruguai, Guatemala e México.

Mas antes mesmo de a reunião começar, a aliança ultraconservadora havia se mobilizado para impedir que qualquer ação fosse decidida pela OEA. Uma das metas da diplomacia americana, de fato, é a de impedir que organismos internacionais possam de fato agir na questão venezuelana.

Por enquanto, entidades como a ONU apenas têm denunciado o ato de Trump como uma violação do direito internacional, sem a capacidade de modificar a realidade. No encontro na OEA, o cenário se repetiu.

O governo americano insistiu, em seu discurso, que os EUA “não invadiu” a Venezuela. Era, segundo a delegação, “apenas” para prender um procurado pela Justiça. “Ele era o chefe de um crime organizado. Não vamos deixar que Venezuela seja hub para China, inteligência cubana, Hezbollah e Irã”, disse.

“Não podemos ter as maiores reservas de petróleo do mundo sob o controle de adversários dos EUA”, admitiu.

Para os diplomatas americanos, Maduro “destruiu a ordem democrática” e garante que o governo Trump continua comprometido com “um futuro democrático” para Caracas.

Na OEA, o governo americano anunciou que pediu que mais de mil prisioneiros políticos sejam libertados. Washington também quer que a ONU tenha acesso às prisões do país.

A fala da delegação dos EUA, porém, foi alvo de protestos e o diplomata foi obrigado a suspender seu discurso, enquanto uma pessoa que acompanhava a reunião denunciava a ilegalidade de Trump.

Intervenção nunca trouxe democracia

Mas foi na reunião que o governo Trump teve de ouvir o mal-estar de parte da região. Para a delegação do México, “intervenções nunca trouxeram democracia”.

Já o vice-chanceler da Colômbia, Mauricio Jaramillo, pediu “a unidade da América Latina contra a ingerência externa” e alertou que a ação é uma “violação do direito internacional”.

“É um precedente muito preocupante para a paz regional”, disse. Para Bogotá, o risco é de que a ordem que esteja sendo criada seja baseada na força, e não no direito. “Democracia não pode ser imposta de fora”, insistiu o vice-ministro, que anunciou o fortalecimento de suas fronteiras e alertou para o risco de um êxodo de refugiados. O governo colombiano ainda defendeu que apenas os venezuelanos podem decidir seu futuro.

Jaramillo ainda criticou os ataques de Trump contra Gustavo Petro, presidente da Colômbia. “Rechaçamos essa atitude e consideramos como inadmissível a ingerência em assuntos internos. Não admitimos isso. Exigimos respeito”, completou.

A delegação do Chile criticou Maduro e disse que sua eleição de 2024 “carece de legitimidade democrática”. Ainda assim, condenou as ações militares dos EUA. “Qualquer controle externo sobre um país é um risco para a estabilidade regional”, alertou Santiago.

Na reunião, o governo do Uruguai também criticou Trump ao defender os princípios da soberania e da não violação das fronteiras. “Trata-se de uma flagrante violação do direito internacional”, alertou. Para ele, a região pode atuar para promover um diálogo que permita uma “solução pacífica”.

Os aliados de Trump

Mas Trump tinha seus aliados. O governo do Peru pediu um minuto de silêncio diante das “vítimas de Maduro” e disse que o venezuelano era “um ditador”.

Um tom parecido foi adotado pela Bolívia, que denunciou “estruturas criminais que capturaram o estado venezuelano”. La Paz ainda chamou o regime venezuelano de “narcoestado”.

Pressionados, os governos caribenhos optaram pelo silêncio. A Jamaica, em nome dos países da Caricom (a Comunidade do Caribe), evitou criticar a ação militar de Trump e apenas pediu ações para proteger a população civil.

Francisco Cravallo, vice-ministro de Relações Exteriores da República Dominicana, lembrou que Maduro expulsou seus diplomatas de Caracas depois que o país não reconheceu os resultados da eleição de 2024. Agora, insiste que quer uma transição democrática e que não irá chanceler o novo governo venezuelano, liderado por Delcy Rodriguez. Em sua fala, porém, o caribenho sequer mencionou a ação militar dos EUA e apenas pediu que a OEA “acompanhe o povo venezuelano” para promover a democracia.

Uma parcela dos governos, de fato, questionou a legitimidade da posse de Delcy Rodriguez. O Canadá foi um deles, ao fazer um apelo pela moderação e alertar que o atual governo “não tem legitimidade democrática”.

 

 



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