27.8 C
Manaus
sábado, 14 fevereiro, 2026
InícioPolítica‘Estruturas milicianas consolidadas’ serão obstáculo para TRE ao mudar seções eleitorais em...

‘Estruturas milicianas consolidadas’ serão obstáculo para TRE ao mudar seções eleitorais em áreas dominadas pelo crime organizado no RJ

Date:

[ad_1]

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) anunciou que para as eleições de 2026 vai transferir seções eleitorais situadas em áreas dominadas por criminosos. A medida faz parte de esforços em conjunto com instituições e forças de segurança para impedir que grupos armados exerçam influência sobre o resultado das eleições e entrem na política fluminense. 

Em 2022, o aplicativo da Justiça Eleitoral, o Pardal, recebeu 1.080 denúncias no estado. Embora não especifique o tipo de irregularidade, a maioria dos casos se concentraram na capital (359), e na Baixada Fluminense, especialmente Nova Iguaçu (75), Duque de Caxias (63) e Belford Roxo (53). A eleição anterior, de 2018, registrou mais que o dobro das denúncias, 2.825 só no Rio de Janeiro. 

“Temos eleitores que votam com medo, tamanha a influência e o poder dos criminosos em algumas áreas do Rio”, afirmou o desembargador Claudio de Mello Tavares, vice-presidente do TRE-RJ. Os novos locais de votação, segundo o Tribunal, não deverão passar de 1,5 quilômetro de distância das residências dos eleitores.

Ao Brasil de Fato, o estudioso de estruturas milicianas José Cláudio Souza Alves afirmou que grupos armados se perpetuam há décadas na estrutura de poder, a ponto de serem vistos como benfeitores em certas localidades. A influência eleitoral, nesse contexto, é mais complexa do que uma boca de urna no dia da votação.

“Eles estão num patamar muito superior a isso, resolvem situações de conflito, favorecem pessoas, trazem benefício para aqueles que se aproximam, vão garantir proteção contra a violência de outros grupos armados, é uma gama muito grande. Eles vão ser votados porque são vistos como benfeitores, porque estão ali atuando há muito tempo. É assim que eles vêm se perpetuando nessa estrutura de poder”, disse Alves.

:: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? ::

A mudança de locais de votação acaba sendo ineficaz, avalia o professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), pois a área de domínio desses grupos, além de muito extensa, se consolida próximo da moradia das pessoas afetadas.

Estrutura consolidada

Outra frente de atuação divulgada pelo TRE-RJ visa ampliar o acesso da Justiça Eleitoral às informações de candidatos em parceria com setores de inteligência das forças de segurança. A ideia seria barrar previamente pessoas associadas ao crime da disputa eleitoral, impedindo o registro da candidatura.  

Souza Alves aponta fragilidades na proposta, pois ela desconsidera que já existem estruturas milicianas consolidadas em diversas regiões vinculadas à segurança pública. Esses grupos se articulam para driblar investigações, “fora a influência junto à estrutura política e partidos que possuem trajetória de poder nas localidades”. 

“Teria que ter uma investigação muito mais profunda e muito mais ampla que pudesse identificar conexões que não são facilmente identificáveis: quem são essas pessoas próximas a essa estrutura criminal armada e também os que já estão, porque há uma estrutura em funcionamento de candidatos já eleitos que estão comprometidos e esses servem para proteger os que estão vindo”, analisa.

“Os novos vão surgir na esteira desses que já estão consolidados. Eles já existem, já operam dessa forma. Com envolvimento de estruturas mais poderosas, de governo do estado, deputados estaduais. É o que vai estar em jogo nas eleições de 2026”, completa o pesquisador. 

As medidas para as eleições de 2026 envolvem também o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPF) e a Procuradoria Regional Federal. Um primeiro encontro dos órgãos, na última semana, marcou o início da integração “para garantir eleições tranquilas, seguras e livres de interferências”, conforme divulgou o Tribunal.

Deputado preso expõe conexões

O caso mais recente que evidenciou as relações espúrias da política fluminense com o crime organizado foi a prisão do deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, por tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, ele utilizava a estrutura do mandato para favorecer o Comando Vermelho (CV). O esquema incluía negociação de armas e nomear comparsas para cargos na Assembleia Legislativa (Alerj). 

Na última eleição, TH obteve mais de 15 mil votos pelo MDB, do qual foi expulso após ser preso. Ele assumiu uma vaga de suplente, em 2024, deixada pela morte do deputado Otoni de Paula Pai, e a licença de Rafael Picciani na Secretaria de Esporte do governo Cláudio Castro (PL)

No dia seguinte a prisão, Picciani foi exonerado da pasta e voltou às presas para a Alerj, em um movimento de Castro para evitar mais desgaste. Nas redes sociais, TH publicava registros ao lado do governador em agendas externas e com o presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União)

Poucos meses antes de ser preso, ele participou da inauguração de uma base operacional da Polícia Militar em Belford Roxo. O programa, em convênio com o governo estadual, permite que agentes de folga atuem no patrulhamento.

[ad_2]

Fonte: Brasil de Fato

spot_img
spot_img