Por Cleber Lourenço
O estado de São Paulo concentrou praticamente um terço de todos os furtos de celulares registrados no Brasil em 2025, consolidando-se como o principal foco desse tipo de crime no país. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que foram contabilizados 157.492 furtos de celulares em território paulista no ano passado, o equivalente a 32,5% das 483.561 ocorrências registradas nacionalmente.
Os números mostram que, apesar da redução dos roubos, o problema continua longe de ser resolvido. Na prática, a criminalidade mudou de perfil: em vez da abordagem violenta, cresce a incidência dos furtos, cometidos sem contato direto com a vítima, normalmente em momentos de distração, em estações de transporte, centros comerciais, eventos e locais com grande circulação de pessoas.
O contraste aparece claramente nas estatísticas. Enquanto os roubos de celulares no estado caíram 18%, passando de 118.181 para 96.955 registros, os furtos seguiram na direção oposta e aumentaram 3,1%, saltando de 152.368 para 157.492 ocorrências. Como consequência, o total de roubos e furtos caiu apenas 6,2%, resultado sustentado exclusivamente pela redução dos assaltos.
Na média, o estado registrou 431 furtos de celulares por dia em 2025. Somando furtos e roubos, foram 254.447 ocorrências, o equivalente a quase 700 casos diários.
A liderança paulista também aparece quando se observa a quantidade de aparelhos efetivamente levados pelos criminosos. O anuário contabiliza 268.184 celulares roubados ou furtados no estado em 2025 — sendo 162.602 furtados e 105.582 roubados. Como uma única ocorrência pode envolver mais de um aparelho, esse número é superior ao total de boletins registrados.
O cenário estadual é acompanhado por um dado igualmente expressivo na capital. A cidade de São Paulo ocupa a terceira maior taxa de roubos e furtos de celulares entre todos os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, atrás apenas de São Luís (MA) e Belém (PA). Mais do que isso, a capital paulista concentra 20% de todos os roubos e furtos de celulares registrados no Brasil, embora reúna apenas 5,6% da população nacional.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, esse resultado evidencia que São Paulo ocupa posição central na dinâmica nacional desse mercado criminoso, tanto pela elevada incidência proporcional quanto pelo enorme volume absoluto de ocorrências.
O comportamento observado em São Paulo acompanha uma tendência identificada em todo o país. Em 2025, os registros nacionais de roubos e furtos de celulares caíram 7,7%, mas essa redução esconde movimentos distintos. Enquanto os roubos recuaram 18,6%, os furtos cresceram 0,9%. Hoje, seis em cada dez celulares subtraídos no Brasil são levados em furtos, e não em roubos.
Para os pesquisadores responsáveis pelo anuário, essa mudança indica que os dois crimes seguem lógicas diferentes e exigem respostas específicas das políticas de segurança pública. Os roubos continuam concentrados em vias públicas e no período noturno, especialmente entre 18h e 23h, quando milhares de pessoas retornam do trabalho ou dos estudos. Já os furtos apresentam maior incidência durante o dia e nos fins de semana, aproveitando momentos de distração das vítimas.
O levantamento faz ainda um alerta importante: os números oficiais provavelmente representam apenas parte do problema. Pesquisa de vitimização realizada pelo próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que 13,9 milhões de brasileiros foram vítimas de roubo ou furto de celular, quantidade muito superior ao número de boletins registrados pelas polícias.
Para os pesquisadores, isso indica que uma parcela significativa das vítimas sequer procura uma delegacia para formalizar a ocorrência, o que significa que a dimensão real desse tipo de crime é ainda maior do que apontam as estatísticas oficiais.



