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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Escalada dos EUA na Venezuela busca retomar hegemonia na América Latina, avalia sociólogo — Brasil de Fato

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Os Estados Unidos voltaram a agir militarmente na América Latina como parte de uma tentativa de “retomada da influência” na região, avalia o sociólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Iglecias, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Segundo o pesquisador, a ordem do presidente Donald Trump à Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA para autorizar ações terrestres na Venezuela faz parte de uma “escalada” que visa a disputa por hegemonia no continente.

“O que está acontecendo agora é uma tentativa de retomada dessa hegemonia, dessa influência numa área importante da América Latina e do Caribe, que é a Venezuela”, afirmou. Para Iglecias, o episódio revela a intenção do governo estadunidense de consolidar novamente a América Latina como uma “área natural de expansão dos interesses econômicos, políticos, geopolíticos, militares e culturais dos Estados Unidos”.

O professor lembra que, desde o fim da Guerra Fria, a configuração mundial deixou de ser unipolar, e os EUA enfrentam hoje a ascensão de outras potências como China, Rússia e Índia. “O governo Trump é uma tentativa de recuperar e consolidar a influência que os Estados Unidos sempre tiveram no hemisfério americano”, explicou.

Brasil entre pragmatismo e soberania

Iglecias considera que o governo Lula (PT) mantém uma posição “delicada e sensível” diante da crise. “Não interessa ao Brasil de forma nenhuma que uma potência estrangeira, seja ela os Estados Unidos ou qualquer outra, empreenda uma guerra contra um vizinho”, disse.

Ao mesmo tempo, o país busca uma “reaproximação com o governo dos Estados Unidos e com o governo Trump”, marcada por pragmatismo e interesses econômicos mútuos. “Declarações muito contundentes do presidente Lula contra essa presença militar estadunidense têm que ser muito bem pensadas e arquitetadas, palavra a palavra, para não tumultuar essa estratégia”, avaliou.

Tensão com Rússia e China

O sociólogo também apontou que a crise venezuelana envolve diretamente Moscou e Pequim. “A China tem muitos interesses econômicos na Venezuela e a Rússia tem um acordo de cooperação militar com o país. São dois países que não teriam nenhum interesse em que o governo [Nicolás] Maduro caísse ou que tivesse uma transição de poder muito abrupta”, explicou.

Segundo ele, uma guerra traria consequências devastadoras. “Seria um desastre um tipo de intervenção como essa. A eventualidade de uma guerra é o término do governo Maduro, é uma violência brutal contra a população venezuelana e a destruição da infraestrutura econômica do país”, criticou.

Colômbia entra no radar

As tensões também atingem a Colômbia, após ataques de forças estadunidenses a embarcações no Pacífico. “O que o [presidente colombiano] Gustavo Petro está dizendo é que isso é um absurdo. São execuções em águas internacionais, muitas vezes, não há direito à defesa para essas pessoas”, afirmou Iglecias.

Ele destacou que tanto Venezuela quanto Colômbia são governadas por forças de esquerda e, por isso, têm sido alvos de hostilidade da Casa Branca. “Há também um fator ideológico: interessa aos Estados Unidos que esse padrão de governos de direita alinhados à Casa Branca se reproduza por outros países da região”, concluiu.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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