28.3 C
Manaus
sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
InícioPolíticaEnviadas da COP30 cumprem agenda em Pernambuco durante o Caatinga Climate Week

Enviadas da COP30 cumprem agenda em Pernambuco durante o Caatinga Climate Week

Date:

[ad_1]

Começou nesta quarta-feira (1) e segue até o próximo sábado (4) a Caatinga Climate Week, evento realizado pelo Centro Sabiá, em Pernambuco, com o objetivo de colocar o único bioma exclusivamente brasileiro no centro do debate climático mundial. A programação contou com a presença do projeto Vozes dos Biomas, iniciativa das enviadas especiais para a Conferência do Clima (COP30).

O grupo é composto pela primeira-dama Janja da Silva (responsável pelo tema das mulheres), Jurema Werneck (igualdade racial) e Denise Dora (direitos humanos e transição justa). Ele tem a finalidade de ouvir comunidades tradicionais e transformar este processo de escuta em cartas que serão apresentadas aos negociadores da COP30.

Em Pernambuco, elas cumprem agenda de visitas a comunidades tradicionais que atuam na preservação e na convivência com o semiárido, na cidade de Caruaru, no agreste do estado.

Durante coletiva na abertura do evento, Janja destacou a urgência de novos mecanismos de financiamento climático. “A busca por financiamento é hoje a principal demanda da sociedade civil. Assim como existe o Fundo Amazônia, precisamos pensar em fundos para os outros biomas brasileiros. O Pampa, por exemplo, é trinacional e um dos mais degradados. Essa preocupação deve estar na carta final da Semana do Clima da Caatinga, que vamos apresentar na COP”, afirmou.

As enviadas estão visitando os seis biomas do país. Ao final de cada visita aos biomas, elas elaboram uma carta. Nos encontros, são realizadas plenárias e oficinas, reunindo lideranças indígenas, quilombolas, coletivos urbanos e organizações da sociedade civil.

A médica e ativista Jurema Werneck reforçou a centralidade das pessoas no processo. “Nossa experiência percorrendo cada bioma é ver homens e mulheres, jovens e mais velhos, fazendo o que precisa ser feito para salvar vidas, comunidades e mostrar ao mundo que soluções existem. A emergência climática foi anunciada há décadas e as políticas públicas continuam atrasadas. Nosso esforço é que a COP30 seja uma conferência centrada em respostas e implementação”, destacou.

Já a jurista Denise Dora, a frente do segmento de direitos humanos e transição justa do Vozes do Bioma, chamou atenção para os impactos sociais da transição energética. Para ela, a adoção de novas tecnologias deve ser acompanhada da consulta e participação das populações atingidas.

“As soluções para o planeta não são apenas técnicas, mas também humanas. É preciso garantir mecanismos de consulta livre e informada, como prevê a Convenção 169 da OIT”, disse.

Na coletiva de imprensa, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macedo, defendeu a regulamentação estadual para o setor de energias renováveis, de modo a assegurar compensações ambientais e sociais às comunidades.

“Nós estamos sugerindo aos estados, sobretudo do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco, que possam trabalhar nas suas Assembleias para ter legislação que regulamente essa questão da energia. O impacto é muito grande na vida das pessoas, então é necessário que tenha regulamentação estadual de leis sobre isso.”

Caatinga Climate Week

Ao longo de três dias, o Caatinga Climate Week promove uma imersão em experiências comunitárias que para soluções concretas de adaptação e justiça climática. Para isso, o cronograma de atividades prevê visitas a territórios tradicionais onde estão sendo construídas soluções inovadoras no semiárido. O evento é inspirado em semanas do clima internacionais, como a de Nova Iorque e Londres, e tem o objetivo de ressignificar as discussões sobre a mudança do clima, colocando em destaque o semiárido brasileiro.

Carlos Magno, coordenador do Centro Sabiá, destacou que o evento também cumpre um papel de comunicar as diversas faces da Caatinga e mobilizar a sociedade para um novo olhar sobre o bioma.

“A comunicação não é o fim, mas é um importante meio. Foi a comunicação, por exemplo, que criou essa narrativa de que o semiárido é um lugar de gente pobre, que não são inteligentes, que comem calango, que foge da seca. Isso existiu. Mas isso muitas outras coisas. Isso é uma face da narrativa. Essa imprensa não diz, por exemplo, que as dez melhoras escolas de ensino básico do Brasil estão no semiárido.”

[ad_2]

Fonte: Brasil de Fato

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile