Por Paulo Saldaña e Isabela Palhares
(Folhapress) – Dos 760,1 mil participantes da primeira edição da Prova Nacional Docente, realizada pelo MEC (Ministério da Educação), 35% não conseguiram atingir proficiência básica no exame. Esse percentual representa 266 mil professores com desempenho insuficiente.
A situação é mais grave em matemática, área em que mais da metade dos candidatos não tiveram desempenho considerado básico.
Os dados do chamado Enem dos Professores foram divulgados nesta quarta-feira (20) pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini. O exame possibilita que as redes de ensino utilizem os resultados em seus processos seletivos.
A primeira avaliação da PND foi aplicada em outubro do ano passado. A prova foi lançada pelo governo Lula (PT) dentro de um pacote de medidas para melhorar a qualidade da formação e seleção de docentes no país e, consequentemente, o aprendizado dos estudantes brasileiros.
A prova é a mesma feita pelos estudantes concluintes de Licenciaturas no Enade — cujos resultados também foram divulgados nesta quarta. Eles podem, inclusive, participar da avaliação já com interesse em participar da PND (Prova Nacional Docente).
No ano passado, 82.907 concluintes fizeram o exame já inscritos na PND. O desempenho deles foi pior do que o do público já formado: 42% não atingiram proficiência básica no exame.
São considerados com proficiência básica os participantes com desempenho igual ou maior que 70 pontos na escala de cada área da prova (formação geral e componente específico de cada área). Esses parâmetros foram criados com o Enade das Licenciaturas, em linha com Prova Nacional Docente.
Enquanto os professores da área de matemática têm os piores resultados, os profissionais de ciências humanas vão melhor, e somente 20% não alcançaram os parâmetros considerados mínimos.
O MEC e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), que realiza o exame, determinaram dois padrões de proficiências. Na divulgação dos resultados, foram considerados o alcance desses dois padrões como o básico (desempenho igual ou maior que 70 pontos na escala de cada área da prova).
Mas uma parcela significativa dos participantes, 41%, ficou apenas no padrão 1, quando o desempenho é maior ou igual a 50 pontos em cada área.
Leonardo Barchini ressaltou que a criação da PND é um avanço importante como instrumento de apoio técnico às redes de ensino para garantir uma melhor seleção de professores. A iniciativa vinha sendo discutida dentro do MEC ao menos desde 2011.
“O ensino melhora quando a gente qualifica melhor e seleciona melhor os profissionais”, disse o ministro. De acordo com Barchini, estudos mostram que a cada ano há necessidade de renovação de 5% dos professores, o que representa cerca de 118 mil professores.
“Vimos que 493 mil participantes alcançam o padrão proficiente, suficiente para superar a demanda, conforme resultado na PND”, completa o ministro.
O MEC recebeu a adesão de 1.530 redes de ensino para usar o Enem dos professores na seleção dos seus professores. As secretarias têm autonomia para usar os resultados (como classificatório, eliminatório, ou complementar à prova prática).
Não se trata de uma certificação para o ofício, mas uma porta de entrada adicional para professores. Muitas redes de ensino não realizam concursos e selecionam professores a partir de listas, sem aferição de qualidade dos profissionais, disse o ministro.
Dados de um estudo feito pelo Movimento Profissão Docente, de abril, mostrou que o Enem dos Professores já foi usado para a contratação de cerca de 16,9 mil professores em todo o país. A grande maioria dos selecionados (97%) foi contratada para cargos temporários.
O movimento identificou o uso da prova para a contratação de novos professores por 52 redes públicas de ensino do país, sendo três estaduais (São Paulo, Rio Grande do Sul e Roraima) e 49 municipais.
A próxima edição da PND está marcada para 20 de setembro de 2026. As inscrições dos candidatos vão ocorrer de 22 de junho a 3 de julho.



