No dia 27 de outubro, a escritora Eliana Alves Cruz, ganhou o prêmio jabuti na categoria “Melhor Romance Literário”, com o livro “Meridiana”. O jabuti está na sua 68ª edição, é organizado pela Câmara Brasileira do Livro, e uma das premiações mais importantes da literatura brasileira.
Meridiana lança um olhar honesto sobre as classes sociais do Brasil. A narrativa apresenta a ascensão social de uma família negra que deixa a favela, imediatamente se deparam com a herança de uma sociedade que, por muito tempo, foi conduzida por um regime escravocrata: o racismo estrutural.
Com uma prosa envolvente, a autora apresenta os desafios e contradições que a família enfrenta, mesmo com a mudança na condição econômica. A variedade de vozes dos personagens expande a experiência do leitor, pois o pai, mãe e filhos têm seu ponto de vista explanados em primeira pessoa, apresentando e explorando as minuciosas camadas da desigualdade.
Em quase sete décadas, é a primeira vez que o Jabuti condecora uma mulher negra na categoria de “Melhor Romance”. A produção literária no Brasil enfrenta inúmeros obstáculos econômicos e sociais. Se por um lado, a ausência de políticas públicas, a dificuldade na distribuição das obras e o elevado preço de produção são agentes que restringem a literatura a um determinado grupo elitizado, em contrapartida, o escritor sofre com a falta de tempo, recurso e escassez de oportunidades.
A premiação da autora é um marco na história da literatura nacional e do retrato de autores que buscam alcançar cada vez mais reconhecimento pelo excelente desempenho literário. Ao todo, 115 finalistas concorreram em 23 categorias, organizadas em quatro eixos: literatura, não ficção, projeto editorial e inovação.



