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sexta-feira, 3 julho, 2026
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El Niño se intensificará até setembro e será forte, diz agência da ONU

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(Folhapress) – A agência meteorológica da ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou nesta sexta-feira (3) que o El Niño provavelmente se intensificará até setembro e será forte.

“Já se observam condições características de um episódio de El Niño e a previsão é de uma intensificação rápida até se tornar um episódio forte”, afirmou a secretária-geral da OMM (Organização Meteorológica Mundial), Celeste Saulo.

“Isso aumentará a probabilidade de secas e chuvas intensas, assim como o risco de ondas de calor terrestres e marinhas em muitas regiões do mundo”, acrescentou ela.

“O El Niño também dará um impulso extra às temperaturas globais. Sabemos que, durante os anos de El Niño, as temperaturas globais normalmente atingem níveis recordes”, disse Álvaro Silva, cientista da OMM.

Ainda segundo o cientista, os efeitos do fenômeno serão sentidos em diferentes regiões até o final do ano e se estenderão até 2027.

O El Niño consiste no aquecimento maior do que a média das águas do Pacífico que se movem em direção à América do Sul, somado ao enfraquecimento dos ventos alísios, deslocamentos de ar quente e úmido nas zonas equatoriais. A atenuação dos ventos contribui para que a água quente volte para o meio do oceano.

O fenômeno costuma durar de 9 a 12 meses. Em geral, inicia-se no fim do inverno do hemisfério sul e atinge o pico entre novembro e janeiro. Ele começa a desaparecer a partir do primeiro mês do ano.

O boletim da agência da ONU indica que já há condições de El Niño no Pacífico tropical e que o fenômeno evoluirá rapidamente para um episódio forte entre julho e setembro, entrando em um nível três em uma escala que vai até quatro.

A atualização complementa o anúncio publicado em 2 de junho pela OMM, que anunciava a iminência de um episódio de El Niño.

Poucos dias depois, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) dos Estados Unidos confirmou que o fenômeno estava em curso. À época, foi estimada em 63% a chance de um El Niño muito forte de novembro a janeiro, com possibilidade de figurar entre os recordes do fenômeno desde o início dos registros, em 1950.

Segundo a OMM, as previsões dos principais centros do mundo alertam para um aumento constante e significativo das temperaturas oceânicas no centro e leste do Pacífico equatorial.

“Esperamos que as anomalias médias sazonais da temperatura da superfície do mar ultrapassem 2°C em regiões cruciais de monitoramento”, afirmou a agência.

Como os modelos de previsão coincidem, o nível de confiança nas projeções é elevado, segundo a OMM.

O El Niño deve continuar ganhando força de setembro a novembro, acrescentou a agência.
A probabilidade de que as temperaturas superem a média na maioria das regiões continentais e em quase todas as áreas habitadas fora das regiões polares é extremamente elevada, de acordo com o boletim.

Também estão previstas mais chuvas que o normal no centro e leste do Pacífico equatorial e menos que o normal em algumas áreas do oceano Índico tropical, do subcontinente indiano e em grande parte da Austrália.

Além disso, precipitações abaixo do normal estão previstas para o Caribe, o noroeste da América do Sul e algumas regiões da América Central, enquanto o sudoeste dos Estados Unidos deve registrar condições mais úmidas que o habitual.

Para a Europa, a projeção indica um contraste norte-sul, com mais precipitações no sul e menos no norte, mas as previsões são consideradas menos confiáveis para o continente do que em outras regiões.





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