25.3 C
Manaus
sábado, 25 abril, 2026
InícioBrasilEconomia argentina encolhe em fevereiro e amplia incertezas sobre ritmo de recuperação

Economia argentina encolhe em fevereiro e amplia incertezas sobre ritmo de recuperação

Date:


A economia da Argentina registrou em fevereiro sua contração mais acentuada desde 2023, evidenciando as dificuldades persistentes nos setores varejista e industrial e lançando dúvidas sobre a velocidade da recuperação econômica no país. Os dados jogam por terra a eficácia do plano econômica do ultradireitista Javier Milei, sob o patrocínio do Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem impingindo mais sofrimento às parcelas mais fragilizadas economicamente da população.

Segundo dados oficiais divulgados na quarta-feira (22), a atividade econômica recuou 2,6% na comparação com janeiro — resultado significativamente pior do que a retração de 0,5% projetada pela Bloomberg Economics. Em termos anuais, houve queda de 2,1%, contrastando com a expectativa mediana de crescimento de 0,5%. No mês anterior, a economia havia apresentado leve alta de 0,4%.

O resultado negativo reflete, sobretudo, o desempenho fraco de segmentos essenciais como o varejo e a indústria manufatureira, que seguem pressionados por um ambiente de consumo retraído e custos elevados. O dado reforça a leitura de que a atividade econômica ainda enfrenta obstáculos relevantes no curto prazo, apesar das medidas de ajuste em curso.

Governo aposta em recuperação gradual

Apesar do recuo, integrantes do governo mantêm discurso de recuperação iminente. O ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou recentemente que a economia deve voltar a crescer a partir de abril, acompanhada de uma desaceleração da inflação.

Milei também indicou sinais iniciais de retomada, citando dados de arrecadação tributária de março como evidência de melhora na atividade. Em meio ao cenário adverso, ele tem adotado um tom mais moderado, pedindo paciência à população diante dos custos do ajuste econômico.

Setor externo oferece alívio pontual

Enquanto a atividade doméstica perde fôlego, o setor externo surge como um dos poucos vetores positivos. Em março, a balança comercial registrou superávit de US$ 2,5 bilhões — o maior para o mês desde 1990, segundo relatório do JPMorgan. No acumulado do primeiro trimestre, o saldo positivo chegou a US$ 5,3 bilhões, impulsionado principalmente pela recuperação das exportações.

Após uma queda de 14,5% em fevereiro, as exportações avançaram 19,8% em março, indicando volatilidade, mas também capacidade de reação do setor.

Apesar da melhora pontual em relação aos níveis críticos herdados pela atual gestão, a inflação segue como um dos principais entraves. Em março, o índice mensal subiu para 3,4% e permanece sem desaceleração consistente há cerca de dez meses.

A meta do governo de reduzir a inflação para abaixo de 1% ao mês ainda parece distante, sugerindo perda de tração no plano de desinflação.

Popularidade em queda e expectativas revisadas

O ambiente econômico mais desafiador também começa a se refletir no cenário político. A aprovação de Milei caiu para 36% — o nível mais baixo desde o início de seu mandato — segundo levantamento do AtlasIntel para a Bloomberg News.

Em paralelo, economistas revisaram suas projeções: a expectativa de crescimento para 2026 foi reduzida para 3,3%, enquanto a previsão de inflação anual subiu para 29%, conforme pesquisa do banco central argentino.

O conjunto de indicadores sugere que, embora existam sinais pontuais de melhora, a economia argentina ainda enfrenta um percurso incerto, marcado por desequilíbrios estruturais e pela necessidade de consolidar a confiança na trajetória de ajuste.





ICL Notícias

spot_img
spot_img