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quinta-feira, 12 março, 2026
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Dólar sobe e Ibovespa despenca com escalada da guerra no Irã

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O Ibovespa recuou 2,55%, encerrando a quinta-feira (12) aos 179.284,49 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 1,61%, a R$ 5,2423. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa dos Estados Unidos frente a uma cesta de moedas fortes, subiu 0,49%, aos 99,72 pontos.

O clima de aversão ao risco voltou a dominar os mercados hoje, com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã pressionando ativos globais. O bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — e novos ataques a navios petroleiros elevaram as tensões no Oriente Médio e provocaram forte alta nos preços da commodity.

O barril do Brent voltou a superar a marca de US$ 100, acumulando valorização superior a 30% desde o início da guerra. A disparada do petróleo aumentou a percepção de risco global e derrubou as principais bolsas do mundo.

A tensão geopolítica aumentou após o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmar que os Estados Unidos deveriam fechar suas bases na região e indicar que o Estreito de Ormuz permanecerá bloqueado como instrumento de pressão contra Washington e Israel. Nos últimos dias, ataques a navios no Golfo Pérsico ampliaram os temores de interrupção no fornecimento global de petróleo.

Com o petróleo no centro das atenções, o mercado também reagiu às medidas anunciadas pelo governo brasileiro para conter o impacto da alta da commodity sobre os combustíveis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e a criação de uma subvenção para produtores e importadores, além de um imposto de 12% sobre exportações de petróleo.

Segundo o Ministério da Fazenda, as medidas podem reduzir em cerca de R$ 0,64 o preço do diesel nas refinarias, ao custo fiscal estimado de R$ 30 bilhões. O governo também pretende reforçar a fiscalização para evitar repasses considerados abusivos no mercado de combustíveis.

No cenário doméstico, a divulgação da inflação também entrou no radar dos investidores. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou de 0,33% em janeiro para 0,70% em fevereiro, registrando a maior variação mensal desde fevereiro de 2025. O principal impacto veio do grupo Educação, que avançou 5,21% devido aos reajustes anuais das mensalidades escolares. Transportes também pressionou o índice, com alta de 0,74%. Apesar da aceleração no mês, o IPCA acumula alta de 1,03% no ano e 3,81% em 12 meses, ainda abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior.

Na bolsa brasileira, o dia foi amplamente negativo. Bancos registraram perdas superiores a 2%, com destaque para Santander Brasil (-4,44%) e Banco do Brasil (-4,38%). Vale recuou 0,76%, mesmo com a alta do minério de ferro.

As petroleiras ficaram no centro das atenções, refletindo tanto a disparada do petróleo quanto a reação às medidas do governo. Petrobras conseguiu fechar em leve alta de 0,45%, enquanto PRIO subiu 0,25% e Brava caiu 6,72%.

Entre as maiores quedas do pregão, Embraer tombou 11,01%. No setor educacional, Yduqs despencou 14,83% após a divulgação do balanço do quarto trimestre, e Cogna recuou 6,92%.

Com o avanço do conflito e o impacto direto no mercado de energia, investidores passaram a priorizar ativos considerados mais seguros, reforçando a pressão sobre moedas de países emergentes e bolsas ao redor do mundo.

Mercado externo

Wall Street fechou em queda generalizada com as notícias vindas da guerra com o Irã, especialmente com o petróleo acima dos US$ 100 e com o governo dos EUA admitindo que ainda não é possível militarmente tomar o controle do Estreito de Ormuz, uma vez que o governo iraniano segue dominando a região.

Com isso, o Dow Jones caiu 1,56%, aos 46.677,85 pontos; o S&P 500, -1,52%, aos 6.676,58 pontos; e o Nasdaq, -1,78%, aos 22.311,98 pontos.





ICL Notícias

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