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O mercado financeiro começou esta quarta-feira (28) em clima de maior apetite ao risco, com o dólar em queda e os ativos globais reagindo a uma combinação de fatores políticos, econômicos e, principalmente, a um rumor que ganhou força nos últimos dias.
No Brasil, o Ibovespa avançou 1,05%, aos 183.827 pontos, embalado pelo desempenho positivo das blue chips. Entre os destaques do pregão, Petrobras (PETR4) subiu 2,91%, Vale (VALE3) avançou 1,99% e Itaú (ITUB4) teve alta de 2,01%. O dólar recuou 1,06%, para R$ 5,18, enquanto o Bitcoin operava em alta de 1,18%, cotado a R$ 467.383. O IFIX teve leve ganho de 0,07%, aos 3.842 pontos.
O que está por trás da queda do dólar
A desvalorização do dólar não é apenas um fenômeno local. A moeda americana vem perdendo força de forma ampla no mercado internacional, refletindo uma tendência estrutural, mas também dois gatilhos de curto prazo: declarações do presidente Donald Trump e um rumor envolvendo o Japão.
O comentário que sacudiu o mercado foi a possibilidade de uma intervenção coordenada entre Estados Unidos e Japão para conter a forte desvalorização do iene. Mesmo sem confirmação oficial, a simples especulação foi suficiente para provocar movimentos intensos no câmbio global.
Rumor, iene mais forte e efeito dominó
A movimentação começou na sexta-feira (23), quando surgiram relatos de que o Federal Reserve de Nova York teria consultado bancos e dealers sobre a taxa de câmbio entre dólar e iene — um procedimento conhecido como rate check, frequentemente interpretado como sinal preliminar de intervenção.
A partir daí, investidores passaram a desmontar posições vendidas no iene, que vinha sendo usado como moeda de financiamento para apostas em outros ativos. Em apenas duas sessões, a moeda japonesa se valorizou cerca de 3%, chegando a operar abaixo de 153 por dólar, após ter encostado em 159 dias antes.
Apesar de dados do Banco do Japão indicarem que não houve atuação direta das autoridades, o mercado reagiu rapidamente, impulsionado pela percepção de que os EUA poderiam estar envolvidos.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, tratou de conter os rumores de que o governo americano estaria avaliando uma atuação direta no mercado de câmbio para vender dólares e comprar ienes. Segundo ele, não há qualquer mudança de postura, e a diretriz oficial segue sendo a defesa de um dólar forte.
Em entrevista à CNBC nesta quarta-feira, Bessent foi categórico ao negar a hipótese de intervenção. Ao ser questionado sobre uma possível ação coordenada para apoiar a moeda japonesa, afirmou que os Estados Unidos de forma alguma estão operando no mercado cambial com esse objetivo.
O secretário reforçou ainda que o governo não costuma antecipar ou comentar medidas desse tipo, limitando-se a reiterar a política vigente. “Não comentamos, além de dizer que temos uma política de dólar forte”, declarou.
Por que a coordenação com os EUA importa
Intervenções recentes do Japão, em 2022 e 2024, tiveram efeito limitado justamente por terem sido ações isoladas. Uma atuação conjunta com Washington teria peso muito maior, o que explica a intensidade da reação mesmo diante de um simples rumor.
Segundo um ex-dirigente do Banco do Japão ouvido pela Reuters, o objetivo não seria defender um nível específico do iene, mas evitar movimentos bruscos e unilaterais. Nesse contexto, manter o mercado em alerta pode ser tão eficaz quanto uma intervenção direta.
A volta do fantasma do Acordo de Plaza
O episódio reacendeu comparações com o Acordo de Plaza, firmado em 1985 entre as principais economias da época para enfraquecer o dólar. Naquele momento, o iene se valorizou fortemente, o que ajudou o Japão a ganhar poder de compra, mas também contribuiu para a formação de uma grande bolha de ativos no país.
Hoje, o cenário é bem diferente — o Japão responde por cerca de 4% da economia global, contra 18% na década de 1980. Ainda assim, o precedente histórico faz com que qualquer sinal de coordenação cambial tenha impacto imediato nas expectativas.
O que esperar do dólar daqui para frente
Para o JPMorgan, o rumor sobre intervenção funcionou como catalisador de um movimento que já estava em andamento. O banco classificou o momento como uma “tempestade perfeita”, combinando ambiente macroeconômico favorável ao risco, incertezas sobre a política econômica dos EUA e sinais vindos do Fed de Nova York.
Já a Goldman Sachs avalia que o cenário global está repleto de forças cruzadas, envolvendo o iene, o Federal Reserve e a postura do governo americano em relação ao dólar. Nesse ambiente de incerteza, investidores globais têm buscado proteção em ativos reais, como o ouro, que já supera US$ 5.300 por onça troy.
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