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sábado, 21 março, 2026
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Doador de Tarcísio e Bolsonaro teria recebido R$ 485 mi de empresa investigada no caso Master

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Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e principal doador de campanha de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022, teria recebido R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de servir de canal de pagamentos a uma suposta milícia privada do grupo e a agentes públicos. As informações foram reveladas pela “Folha de S. Paulo”.

Segundo o jornal, os repasses foram feitos entre julho de 2022 e janeiro deste ano. Em 2025, Zettel recebeu R$ 160 milhões da Super, originados de 264 transferências, sendo a maior quantia mensal  entre fevereiro e abril, de R$ 5 milhões cada.  Zettel é pastor afastado da Igreja Batista da Lagoinha

Nas investigações da PF, Zettel é apontado como o responsável por intermediar e operacionalizar pagamentos relacionados às possíveis atividades ilegais do Master. A polícia analisa mensagens trocadas entre ele e Daniel Vorcaro em que há ordens de pagamentos e citações a transações financeiras com menções a políticos.

Zettel teve a prisão preventiva decretada junto com a de Vorcaro, na terceira fase da Compliance Zero.

Cunhado de Vorcaro foi o maior doador das campanhas de Tarcísio e Bolsonaro em 2022

Fabiano Campos Zettel, pastor evangélico e cunhado de Daniel Vorcaro, foi o principal doador das campanhas eleitorais de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Segundo o portal de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Zettel desembolsou R$ 2 milhões na campanha ao governo de São Paulo e R$ 3 milhões na tentativa de reeleição do então presidente da República.

Pastor e empresário, Fabiano Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução
Pastor e empresário, Fabiano Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

Zettel foi o maior doador individual de ambas as campanhas. Os valores só são superados pelas verbas desembolsadas pelos partidos dos candidatos, oriundas do fundo eleitoral.

Fabiano é casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro. Ele já atuou como diretor da Super Empreendimentos, empresa citada no âmbito da liquidação do Master e também nas investigações do uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro pelo crime organizado.

Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, um fundo de investimentos que negocia a participação em empresas não listadas na bolsa.

Empresa é citada como parte da engenharia financeira do Master

A Super Empreendimentos é citada como parte da engenharia financeira para movimentar o dinheiro que era desviado do Master. Ela teria sido utilizada para tomar empréstimos fraudulentos do banco. O Master venderia esses financiamentos para fundos de investimento, limpando o seu balanço.

Segundo a PF, o dinheiro era usado tanto para adquirir bens quanto para alimentar uma rede de fundos responsável por desviar recursos do banco e retroalimentar o próprio Master a partir da compra de Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

A empresa também teria sido usada para o pagamento ilícito feito por Vorcaro a dois ex-funcionários do Banco Central investigados no esquema de desvios do Master, o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do departamento de supervisão bancária Belline Santana. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master, afirmou, em decisão, que ambos atuavam como consultores privados de Vorcaro para assuntos relacionados ao BC e recebiam propina por isso.

Está no nome da Super a casa de R$ 36 milhões em Brasília onde o banqueiro recebeu políticos como o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos). O ex-banqueiro também declarou à Receita Federal ter feito pagamentos de R$ 68 milhões em 2023 à empresa. Os valores quitaram dívidas de Vorcaro com a Super na compra de imóveis e outros investimentos.

Em decisão, o ministro André Mendonça afirma, ainda, que a Super foi também utilizada para os pagamentos do grupo chamado de “A Turma”, encarregada de monitorar e pressionar pessoas consideradas adversárias do banqueiro ou ligadas às apurações sobre o banco. O ministro determinou a suspensão das atividades da empresa.

 





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