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“Na África, cada ancião que morre é uma biblioteca que se queima”: essa frase, escrita pelo malinês Amadou Hampâté Bâ no livro “Amkoullel, o Menino Fula”, nos revela a importância da transmissão oral no continente africano.
Simples, singela a passagem manifesta a importância que é expressa através das tradições, práticas culturais e espiritualidades das comunidades tradicionais. Tradições essas que não estão necessariamente apegadas à escrita como uma forma de transmissão do saber e do conhecimento.
A oralidade é a espinha dorsal da imanência das comunidade tradicionais, pois é através dela e sobre ela que o sabedoria é passado de geração para geração.
No Brasil é possível perceber o uso e a importância da oralidade nas práticas e ações das religiões de matrizes africanas e nas comunidades tradicionais quilombolas. Ao voltar os nossos olhos sobre a formação sociedade brasileira, é possível enxergar que as culturas orais promovidas dentro dos templos de religiões de matrizes africanas e dentro dos quilombos são as grandes bases e das resistências e das identidades negras no Brasil.
Tanto o terreiro, a casa de santo e o quilombo são verdadeiras extensões, por assim dizer dos laços identitários com o continente africano.
Deste modo, precisamos aqui pontuar que templo religioso de matriz africana assim como um assentamento quilombola existem e sobrevivem além das suas circunferências territoriais, podemos dizer que esses locais “sagrados” pelo âmbito das resistências negras, são forjados pelos laços, encontros e reencontros promovidos pelas intensas troca cotidianamente.
Verdadeiros modelos de tradições vivas reconfiguradas sobre a ideia de família extensiva gerida pelos laços de solidariedade, irmandade, circularidade.
Por isso, diante do triste cenário brasileiro em que templo religiosos de matrizes africanas são depredados, queimados e ainda há uma intensa tentativa de desapropriação das terras quilombolas, vamos aqui parafrasear o saudoso escritor africano, Amadou Hambate Bâ, dizendo que, no Brasil, quando destroem um templo de matriz africana ou um assentamento quilombo são bibliotecas que queimam, vidas que ardem e uma história que se vai



