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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Divisão interna da esquerda levou à vitória da direita na Bolívia, avalia analista político — Brasil de Fato

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A eleição de Rodrigo Paz na Bolívia marca o retorno da direita ao poder após quase duas décadas de governos do Movimento ao Socialismo (MAS). Para o analista político e especialista em comunicação Amauri Chamorro, o resultado é uma consequência direta da ruptura entre o ex-presidente Evo Morales e o atual presidente Luis Arce, que fragmentou o campo progressista no país.

“O MAS vem de um fratricídio, Evo Morales decidiu implodir o próprio partido, porque ele queria ser candidato, e ele se transformou na pior oposição ao próprio governo que ele elegeu”, afirmou Chamorro em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Segundo ele, o enfraquecimento interno do MAS e o desgaste político deixaram espaço para que Paz, de centro-direita, conquistasse o apoio de setores moderados.

“Essa classe média que ficou órfã de um candidato, e que viu o governo e o partido MAS se autodestruírem, optou por um candidato menos radical. Rodrigo Paz é um candidato de centro-direita um pouco mais republicana. Ele não fala da privatização dos recursos naturais, ele dialoga com muitas das ações sociais do MAS”, analisou, comparando o vencedor do pleito com o seu concorrente de extrema direita, Jorge “Tuto” Quiroga.

Chamorro avalia que a esquerda boliviana precisará se reorganizar após a derrota. “Há uma necessidade de a esquerda boliviana se reagrupar já, mas sabemos que a esquerda boliviana funciona muito a partir das suas organizações sociais e sindicais. Para conseguir ter um governo de novo de esquerda, vai precisar se refazer, se reinventar”, indicou.

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Ameaça à soberania na região

O analista também comentou a crescente tensão nas Américas diante de ameaças de ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. “A fragmentação da defesa da soberania do nosso continente é muito ruim e afeta todo mundo. Se a Venezuela for invadida ou bombardeada, afeta o Brasil, o México, o Panamá, a Colômbia, o Equador”, alertou.

Chamorro defendeu o fortalecimento da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) como um instrumento de integração regional. “É fundamental o fortalecimento da Celac para enfrentar comercial e politicamente os Estados Unidos e a União Europeia”, disse.

Ao comentar o papel do Brasil, Chamorro elogiou a postura diplomática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio às tensões com o governo estadunidense. “A postura de Lula permitiu que ele e Trump criassem um canal de comunicação direta e ajudasse o Brasil nessa guerra comercial. Porém, é muito difícil não colocar na mesa a possibilidade de invasão na Venezuela”, observou.

Para ele, o estilo agressivo de Donald Trump tende a se manter. “Ele entende como funciona a lógica do espetáculo e leva isso ao poder. Vai continuar tensionando o tempo todo e gerando notícia. Não vai ceder nem um milímetro”, analisou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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