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sexta-feira, 27 fevereiro, 2026
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disputa na CPMI do INSS envolve Zettel e Clava Forte

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Por Cleber Lourenço

A quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi o que incendiou o plenário da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS nesta quinta-feira (26). Mas, segundo deputados da base governista, esse foi apenas o estopim.

O conflito real, afirmam, envolve requerimentos que miram Fabiano Zettel, o Clava Forte Bank — apontado como ligado à Igreja da Lagoinha — e outros nomes citados em pedidos de investigação sobre o fluxo de recursos do esquema dos descontos indevidos.

A CPMI investiga cobranças feitas diretamente na folha de aposentados e pensionistas do INSS por meio de convênios com associações. A suspeita é que milhares de beneficiários tenham sofrido descontos sem autorização válida ou com consentimento questionável. A comissão votou um bloco com 87 requerimentos, incluindo quebras de sigilo, convocações e pedidos de relatórios financeiros.

O dia começou com a aprovação de um requerimento para votação em bloco. Após pedido de verificação, o painel eletrônico registrou 18 votos a 12 favoráveis. Em seguida, veio a votação simbólica dos 87 requerimentos.

Na contagem visual, 14 parlamentares se levantaram contra o bloco e 7 permaneceram sentados. Apenas titulares podiam votar. O presidente proclamou o resultado como aprovado, o que desencadeou a reação da base governista.

Rogério Correia acusa fraude

O deputado Rogério Correia sustenta que houve irregularidade na proclamação.

“Houve fraude na proclamação do resultado da votação. O senador Viana fraudou o resultado, anunciou o resultado inverso do acontecido”, afirmou.

As imagens da TV Senado reforçam isso, inclusive foram usafas pela base governista, segundo Rogério: Comprovamos que existiram 14 votos ao nosso favor. Os que estavam em pé contra sete. E ele proclamou um resultado diferente.”

Correia comparou o episódio ao uso do árbitro de vídeo no futebol: “É como se nós levássemos ao juízo o VAR. Quando ele vê o VAR, nenhum brasileiro vai ter dúvida.”

Segundo ele, o tumulto não decorre apenas da quebra de sigilo de Lulinha, mas da tentativa de impedir que outros requerimentos avancem.

Zettel e Clava Forte no foco da disputa

“Eu sei o porquê que ele faz isso: para proteger o bolsonarismo e particularmente proteger o pastor Zettel”, declarou.

Correia afirma que há mais de dois meses protocolou pedidos de convocação, quebra de sigilo e requisição de relatórios financeiros envolvendo Zettel e o Clava Forte Bank, mas que esses requerimentos não foram pautados. “Eu já apresentei este requerimento tem mais de dois meses e o requerimento não vai a votação.”

Na mesma declaração, o deputado citou a Igreja da Lagoinha e fez acusações diretas sobre o que considera um circuito financeiro ligado ao caso. “Olhem quem é o pastor Vettel, sócio do Vorcaro, que é este que fez o rombo todo nos consignados do Banco Master junto com o Banco Central de Roberto Campos Neto, do Bolsonaro e que fazia lavagem de dinheiro do roubo dos aposentados na Igreja da Lagoinha, no banco Clava Forte Bank, onde ele [o senador Carlos Viana] também é desta igreja, junto com Nicolas Ferreira e Pastor Valadão” e acrescentou: “Ali, portanto, há uma lavagem de dinheiro […] e eles não querem que investiguem.”

As declarações são acusações feitas no calor do embate parlamentar. Até o momento, a CPMI não apresentou conclusão formal atribuindo responsabilidade a qualquer dos citados.

Quais são as suspeitas sob análise

Os requerimentos mencionados buscam, segundo parlamentares da base:

  • Quebras de sigilo bancário e fiscal Para rastrear eventual movimentação financeira entre investigados do esquema do INSS e pessoas ou instituições citadas no debate.
  • Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) Pedidos para que órgãos de controle encaminhem análises de transações consideradas atípicas.
  • Investigação sobre o Clava Forte Bank Solicitação de esclarecimentos sobre eventual papel da instituição em fluxos financeiros relacionados aos investigados.

A linha de apuração, em termos simples, tenta verificar se o dinheiro descontado de aposentados teria seguido apenas para associações conveniadas ou se houve um circuito mais amplo de intermediação e destino de recursos.

Quebra de sigilo de Lulinha foi o gatilho

O bloco aprovado incluía a quebra de sigilo de Lulinha, o que elevou imediatamente o impacto político da votação. A inclusão do filho do presidente no radar formal da CPMI provocou reação da base governista.

Parlamentares afirmam, porém, que o foco exclusivo na quebra de sigilo de Lulinha obscurece o que consideram a disputa principal: a definição de quais alvos podem ou não ser investigados.

Randolfe também fala em investigação seletiva

O senador Randolfe Rodrigues também criticou a condução da pauta: “O que ocorre é que, concretamente, eles não queriam pautar os requerimentos que interessam. Eles não queriam”, afirmou.

Ele citou o pedido do líder Paulo Pimenta para convocação e quebra de sigilo de Zettel e questionou a resistência: “O senhor presidente não atendeu a um requerimento do líder Pimenta para que fosse convocado e quebrado o sigilo do senhor Zettel. O que é que tem, sr. presidente?”

Randolfe mencionou ainda pedidos envolvendo a gerente do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro, investigação sobre o BRB e requerimentos relacionados à empresa do governador Romeu Zema. “Investigação não pode ser investigação seletiva.”

Conselho de Ética e possível judicialização

Correia afirmou que levará o caso ao Conselho de Ética e não descartou acionar o Supremo Tribunal Federal. “Nós vamos ao Conselho de Ética, porque não pode um presidente de uma comissão parlamentar mista de inquérito, investigando algo tão sério como foi o roubo dos aposentados, fraudar o resultado de uma votação. Isso é gravíssimo.”

Ele acrescentou: “Se ele não colocar este requerimento em votação, eu vou ao Supremo obrigá-lo.”

A oposição sustenta que a votação seguiu o rito regimental e que o resultado proclamado é válido. Até o momento, não houve decisão formal sobre eventual revisão do placar.

A crise da CPMI revela duas disputas simultâneas: uma sobre o procedimento de votação e outra sobre o alcance da investigação. A quebra de sigilo de Lulinha foi o gatilho visível do conflito. Mas, segundo governistas, o embate estrutural envolve a possibilidade de avançar — ou não — sobre requerimentos que citam Zettel, o Clava Forte Bank e líderes religiosos mencionados nos pedidos apresentados à comissão.





ICL Notícias

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