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domingo, 8 março, 2026
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Dia das Mulheres: teoria “tend and befriend” explica a resposta feminina ao estresse

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Barbara Mitoso e Sha Antunes, 35 anos de amizade

No contexto das reflexões sobre o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, estudos da psicologia apontam que mulheres podem reagir ao estresse de forma diferente do modelo clássico de “luta ou fuga”. A teoria conhecida como “tend and befriend”, proposta pela psicóloga Shelley Taylor, sugere que muitas mulheres respondem a situações de ameaça fortalecendo vínculos sociais e cuidando de pessoas ao redor, em vez de reagir apenas com agressividade ou fuga.

Uma perspectiva sobre o estresse

Durante décadas, o entendimento predominante sobre as respostas humanas ao estresse foi baseado na teoria “fight or flight”, ou “luta ou fuga”. Essa ideia foi proposta no início do século XX pelo fisiologista Walter Cannon, que descreveu como o organismo se prepara biologicamente para enfrentar ou escapar de um perigo.

Nesse processo, o corpo ativa diversos mecanismos fisiológicos, como aumento da frequência cardíaca, liberação de adrenalina e maior estado de alerta.

Com o avanço das pesquisas em psicologia e neurociência, especialistas também passaram a considerar uma terceira resposta possível ao estresse: o freeze, ou congelamento, quando o indivíduo permanece imóvel diante da ameaça.

No entanto, no início dos anos 2000, novos estudos começaram a sugerir que essas respostas tradicionais não explicavam completamente todas as formas de reação humana ao estresse.

A teoria tend and befriend

Foi nesse contexto que a psicóloga social Shelley Taylor, pesquisadora da University of California Los Angeles, apresentou a teoria chamada “tend and befriend”, que pode ser traduzida como “cuidar e se aproximar”.

Segundo a pesquisadora, mulheres podem apresentar com mais frequência uma resposta ao estresse baseada em comportamentos sociais de proteção e cooperação.

A teoria descreve dois padrões principais de comportamento.

O primeiro é o tend, que significa cuidar ou proteger. Nessa reação, a pessoa tende a proteger indivíduos vulneráveis, como filhos ou membros do grupo, e a tentar reduzir o risco ao fortalecer o cuidado coletivo.

O segundo é o befriend, que envolve buscar proximidade com outras pessoas, criando ou reforçando redes de apoio social.

Em vez de reagir apenas com confronto ou fuga, a estratégia passa a ser fortalecer relações sociais como forma de enfrentar a adversidade.

O papel da biologia nas relações sociais

Pesquisas apontam que essa resposta pode estar associada à ação de hormônios ligados ao comportamento social, como a Oxitocina.

Conhecida popularmente como o “hormônio do vínculo”, a oxitocina está relacionada a comportamentos como empatia, confiança, cooperação e cuidado parental.

Estudos indicam que, em situações de estresse, a liberação desse hormônio pode estimular comportamentos de aproximação social, incentivando a formação de redes de apoio.

Além disso, pesquisas em neurociência sugerem que mulheres podem apresentar maior ativação em áreas do cérebro ligadas ao reconhecimento de emoções e expressões faciais, como a Amígdala cerebral e o Córtex pré-frontal.

Essas regiões estão envolvidas no processamento emocional, empatia e tomada de decisões sociais.

Conexões sociais como estratégia de sobrevivência

A teoria “tend and befriend” também dialoga com pesquisas sobre a importância das relações sociais para a saúde mental.

Diversos estudos indicam que o apoio social pode reduzir os efeitos negativos do estresse, contribuindo para o equilíbrio emocional e para a sensação de segurança.

Entre os benefícios observados estão:

  • redução da ansiedade
  • menores níveis de hormônios do estresse
  • maior sensação de pertencimento
  • fortalecimento da resiliência emocional

Esses fatores ajudam a explicar por que, em momentos difíceis, muitas pessoas procuram apoio em amigos, familiares ou comunidades.

Reflexão no dia internacional da mulher

Celebrado em todo o mundo, o Dia Internacional da Mulher é também um momento de reflexão sobre o papel social, emocional e histórico das mulheres nas comunidades.

A teoria “tend and befriend” contribui para esse debate ao destacar que comportamentos tradicionalmente associados ao cuidado e à cooperação podem representar estratégias importantes de adaptação e sobrevivência.

Para especialistas, compreender essas dinâmicas ajuda a ampliar o olhar sobre saúde mental, relações sociais e diversidade de comportamentos humanos diante do estresse.

Mais do que uma simples diferença entre homens e mulheres, a teoria aponta para a importância das redes de apoio, da empatia e da colaboração como formas eficazes de enfrentar desafios individuais e coletivos.

O estresse e as múltiplas formas de reação

Pesquisadores ressaltam que as respostas ao estresse são complexas e variam de acordo com fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Assim, diante de uma ameaça ou situação difícil, uma pessoa pode reagir de diferentes formas, como:

  • lutar contra o problema
  • fugir da situação
  • paralisar momentaneamente
  • buscar apoio social
  • cuidar de outras pessoas

Essas respostas não são excludentes e podem ocorrer simultaneamente, dependendo do contexto.

A contribuição da teoria “tend and befriend” está justamente em mostrar que a cooperação e a conexão social também fazem parte das estratégias humanas de enfrentamento.

Ciência e empatia

Em um mundo marcado por desafios sociais, econômicos e emocionais, pesquisadores apontam que fortalecer vínculos sociais pode ser um elemento essencial para o bem-estar coletivo.

A ideia de que o cuidado, a empatia e a colaboração são respostas naturais ao estresse reforça a importância de comunidades mais solidárias e redes de apoio mais fortes.

No contexto do Dia Internacional da Mulher, essa perspectiva também convida a reconhecer o papel histórico das mulheres na construção dessas redes de cuidado e conexão que sustentam famílias, comunidades e sociedades.

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