
O encontro ficou marcado para sábado passado, às 16h45m debaixo de um pé de Benjamim na calçada do Sebrae, na rua Leonardo Malcher.
Quando cheguei, pontualmente na hora marcada, já tinha duas pessoas. Em alguns minutos foram chegando mais, a maioria de atores da cena local, alguns jornalistas e fotógrafos.
Estávamos ali à espera de quem nos levasse para o outro lado da rua para assistir a uma apresentação do espetáculo “ Destruição”, teatro performático da Cênicas Corporais Uma em que o público é parte integrante da encenação.
Percebemos ali na calçada que já estávamos dentro da dramaturgia, que começou com a caminhada conduzida pelo diretor e autor do texto Francisco Rider até um estacionamento vazio na outra margem da rua, onde teria lugar o espetáculo ao ar livre, em um calor abrasador.
Havia pequenos bancos de plástico para a plateia, com a liberdade do público poder levar cadeiras mais cômodas e leves para mudar de posição no desenrolar da peça.
A escolha do estacionamento/cenário é proposital pois o texto narra as impressões de quem vê seus bens e suas recordações demolidas para dar lugar à secura e impessoalidade de um estacionamento.
Onde outrora houve vida, vegetação, casas, infância e amigos hoje existe o terreno devastado, sem uma árvore sequer, sob o qual estão as lembranças enterradas.
Acredito que o local, o horário, a temperatura e a incomodidade dos banquinhos de plástico foram pensados para inquietar o público e fazê-lo refletir sobre o processo de destruição pelo qual passa a cidade de Manaus, com seus casarões abandonados e sua história em processo de apagamento
O fio dessa história perdida é desenrolado pelas atrizes Koia Refkalevsky representando o passado e Bruna Pollari o presente, talvez uma tênue esperança de dias melhores no futuro.
A peça fica em cartaz nos dias 26 de setembro, 3 e 10 de outubro.
Ingressos R$ 25,00 (inteira);R$10 (meia).
Faixa etária: 15 anos
Fotos: Alberto César Araújo @olhajalbertocesar
FICHA TÉCNICA
Direção e Dramaturgia: Francisco Rider



