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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Deputado denuncia ‘doutrinação religiosa’ na PM do RJ e é alvo de ataques da extrema direita

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Por Gabriel Gomes

O deputado estadual do Rio de Janeiro, Carlos Minc (PSB), denunciou, em suas redes sociais, na última semana, que policiais militares uniformizados, em horário de serviço, estavam sendo “doutrinados” em um culto religioso, no Largo do Machado, na região central da capital fluminense. Minc protocolou uma representação ao Ministério Público estadual sobre o tema.

Após a denúncia, porém, Carlos Minc passou a ser alvo de ataques de deputados da extrema direita na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). Minc também foi alvo de nota de repúdio da Ordem dos Advogados (OAB) do estado, que segundo o parlamentar, possui direção bolsonarista.

Denúncia de Minc

A denúncia, publicada inicialmente na rede social Instagram, foi feita após Minc, que mora na região, flagrar cerca de 30 policiais, com o uniforme do programa “Segurança Presente”, do governo do Rio de Janeiro, recebendo uma espécie de pregação religiosa. “Estavam sendo doutrinados no estilo de ‘Bispo Macedo’ e os pivetes em volta pra fazer o que quisessem”, diz Carlos Minc.

“A minha questão não é em relação à liberdade religiosa. Qualquer um pode, depois do expediente, ir a qualquer tempo, budista, sinagoga, igreja, terreiro. Agora, não pode doutrinar em horário de trabalho”.

Segundo o deputado, dois policiais o procuraram e se manifestaram dizendo que não queriam participar e foram instados pelos seus respectivos comandantes. No último dia 21, então, Minc acionou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ).

No ofício, o deputado requer que o MP tome as devidas providências para “investigar os atos inconstitucionais praticados, e, que, estes não tornem a se repetir, conquanto, requer também que as lideranças policiais envolvidas nestes atos, sejam investigados nos moldes do processo administrativo disciplinar e tenham as devidas punições adequadas”.

Em entrevista ao ICL Notícias, Carlos Minc afirmou que considera se tratar de uma postura institucionalizada, e não apenas um caso isolado ocorrido na região do Largo do Machado.

“Isso já é institucionalizado. Quando eu postei nas redes, centenas de pessoas, inclusive de outros estados, vieram dizer ‘você tem que vir aqui’, ‘aqui em Goiás está acontecendo a mesma coisa’, e em outros lugares também, então é uma coisa institucional”, disse.

Minc deputado

Carlos Minc (PSB), deputado estadual do Rio de Janeiro, protocolou uma representação ao Ministério Público sobre o tema

Ataques contra o deputado

Após a denúncia, o deputado passou a ser alvo de ataques nas redes sociais partindo de usuários da extrema direita. Mas, não só. Minc também foi alvo de colegas parlamentares no plenário da Alerj. Na terça-feira (26), o deputado Carlos Macedo (Republicanos), sobrinho do Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, abriu uma bíblia no plenário e deu a Minc.

“O Estado é laico, mas o servidor público não é. Ele é um ser humano, não um ente laico. Você tem todo o direito de ter uma crença ou não”, afirmou Macedo, acrescentando que, segundo o texto sagrado, é um mandamento pregar a mensagem a “toda criatura”.

Minc aceitou o livro, mas reiterou que sua iniciativa não tem relação com a liberdade de culto, mas com o fato de os policiais estarem fardados, armados e em horário de serviço. Também na Alerj, na quarta-feira (27), deputados Douglas Gomes (PL) e Tia Ju (Republicanos) também foram ao plenário se direcionar a Minc sobre o tema.

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e a Comissão Especial de Advogados Cristãos da OAB do Rio de Janeiro foi além e chegou a emitir uma nota de repúdio acusando o deputado de intolerância religiosa. Segundo Minc, a entidade possui comando bolsonarista no estado.

“A gente defende todas as religiões, a gente está criticando um procedimento administrativo que fere a Constituição do estado, o Estado Laico. Eu sou um deputado muito antigo, muito experiente, não perco a calma, nunca insultei ninguém. Escrevi uma carta agora que eu mandei para o OAB, pedindo inclusive um encontro, e explicando que eu presidi essa comissão, eu fiz as leis, eu tenho pessoas no meu gabinete de todas as religiões, vítimas de intolerância, mas eu não posso aceitar a doutrinação oficial, em horário de trabalho”, diz Carlos Minc.

O que diz o governo do Rio de Janeiro?

O ICL Notícias questionou a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) do Rio de Janeiro sobre a denúncia do deputado Carlos Minc. A secretaria não respondeu até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto.



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