Suas obras reúnem linguagens e representações ligadas à química e à medicina, diferentes maneiras de observar o cosmos e narrativas sobre a origem do mundo

A Gentil Carioca São Paulo apresenta “Denilson Baniwa: Yawara Akanga”, a partir do dia 07 de abril de 2026 (terça-feira), a partir das 16h, a nova mostra do artista visual indígena em que apresenta 10 obras inéditas feitas em fibra de tururi, produzidas em 2025, em que dá continuidade à sua pesquisa sobre a presença não indígena na região do Rio Negro e no território amazônico. O texto crítico fica a cargo do curador chefe do Museo Universitário del Chopo da Cidade do México, Miguel A. López. É a segunda solo na unidade paulista, precedida pela mostra “Moqueca de Maridos”, realizada em 2023.
Suas obras revisitam o passado por meio da reinterpretação de imagens de tradições e representações locais, instituições europeias e norte-americanas (incluindo o Musée du Quai Branly, na França; o Museu Nacional de Etnologia de Lisboa, em Portugal; a Biblioteca da Universidade de Princeton e a Fundação Getty, ambas nos Estados Unidos), bem como arquivos fotográficos de internatos católicos e missões salesianas em aldeias amazônicas.
Uma ode à natureza
Criadas com pigmentos naturais, carvão e penas de aves sobre fibras de casca de árvore, essas peças funcionam tanto como testemunhos ancestrais quanto como diagramas contemporâneos das forças que moldam os corpos e a vida na Amazônia.
Frases como “Antes do pecado, todos bebiam CAXIRI!” ou “FÉ! Fé! Luta! Luta!” destacam a transição entre a imposição religiosa e as formas de resistência anticolonial, enquanto a presença de imagens de deuses e espiritualidades indígenas ao lado de figuras da mitologia grega e romana demonstra uma tentativa de posicionar as histórias amazônicas como pontos de partida para repensar a filosofia e a história ocidentais.
“Ao mesmo tempo, as obras mostram a construção da subjetividade indígena como um processo constante de negociação e resistência, no qual — diferentemente da perspectiva ocidental moderna — animais, plantas e forças espirituais ocupam um papel de liderança”, afirma o curador Miguel A. López em seu texto.
Instalação multimídia
Recentemente, ele apresentou a vídeo-instalação “O JARDIM” (Trilogia das Plantas 2), juntamente com o cineasta Felipe M. Bragança, de nov/2025 a jan/2026, na mesma unidade da Gentil carioca, na Travessa Dona Paula, em Higienópolis, em São Paulo. O projeto é parte de uma trilogia que mistura narrativas do povo Baniwa com a filosofia do italiano Emanuele Coccia (que faz uma participação na obra) para projetar a ideia de uma iminente “revolução vegetal”. A obra foi realizada com o apoio do RUMOS ITAÚ CULTURAL.
Sobre Denilson Baniwa
Artista amazônida de origem na nação Baniwa, tem como base de trabalho a pesquisa sobre aparecimentos e desaparecimentos de indígenas na História Oficial do Brasil, ao mesmo tempo em que busca nas cosmologias indígenas e suas representações artísticas um possível método de compartilhar conhecimentos ancestrais e ao mesmo tempo criar um banco de dados com essas cosmologias como modo de salvaguardá-las.
Participou de exposições no CCBB, Pinacoteca de São Paulo, CCSP, Centro de Artes Hélio Oiticica, Museu Afro Brasil, MASP, MAR, Museu do Amanhã, Bienal de Sidney, Bienal de São Paulo, Getty Museum em Los Angeles, Museo Amparo no México, Inhotim, dentre outros. Em 2024, foi um dos curadores do Pavilhão Brasileiro na Bienal de Veneza.



