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quarta-feira, 25 março, 2026
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Delegado apurou fraude em concursos, mas virou aliado do esquema, diz PF

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Uma apuração conduzida pela Polícia Federal trouxe à tona um esquema sofisticado de fraudes em concursos públicos que, segundo investigadores, alcançou a cúpula da segurança pública em Alagoas. O delegado-geral da Polícia Civil do estado, Gustavo Xavier do Nascimento, aparece citado em delação premiada como alguém que, após identificar a existência do grupo criminoso, não teria reprimido a prática e passou a tirar proveito da estrutura.

As informações foram repassadas por Thiago José de Andrade, apontado como responsável por coordenar o esquema. Detido em uma das etapas da operação, ele decidiu colaborar com as autoridades e descreveu como funcionava a rede, além de relatar a suposta participação de agentes públicos.

Conforme o depoimento, ainda quando atuava em Arapiraca (AL), Gustavo Xavier chegou a conduzir investigações contra Thiago e obteve autorização judicial para prendê-lo. No entanto, a prisão não teria sido executada. Em vez disso, o delegado teria exigido que o investigado passasse a operar fraudes em concursos em benefício de pessoas próximas.

Entre os supostos favorecidos estariam familiares do próprio delegado. Uma das citações envolve Ayally Xavier, esposa do delegado, que teria tentado ingressar na Polícia Civil por meio de concurso para delegada utilizando um ponto eletrônico para receber respostas durante a prova. O dispositivo, porém, não funcionou, e o exame teria sido entregue sem respostas.

As investigações indicam ainda que a comunicação das ordens ocorria de forma indireta, por meio de intermediários. Um dos nomes apontados é Ramon Isidoro Soares Alves, descrito como pessoa de confiança e possível elo entre o delegado e os operadores do esquema.

Na etapa mais recente da operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão em Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Professores suspeitos de resolver provas para candidatos que pagavam pelo serviço estão entre os alvos. Já o delegado-geral foi submetido a medidas de busca e apreensão.

Delegado foi exposto por delação premiada de um dos integrantes feita para à Polícia Federal (Foto: Reprodução)

Estrutura das fraudes

Segundo a Polícia Federal, o grupo atuava com métodos variados para garantir aprovações em concursos concorridos. Entre as práticas identificadas estão a substituição de candidatos por terceiros e o uso de dispositivos eletrônicos para transmissão de respostas durante as provas.

Além disso, os investigadores apontam que havia acesso antecipado a conteúdos sigilosos, como gabaritos e temas de redação, em alguns casos mediante violação de lacres. Os valores cobrados pelos serviços ilegais variavam de acordo com o cargo pretendido e podiam chegar a R$ 500 mil.

O esquema teria atuado em seleções de grande relevância, incluindo certames para tribunais, instituições financeiras públicas e cargos federais, ampliando o alcance e o impacto das fraudes em diferentes regiões do país.





ICL Notícias

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