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segunda-feira, 16 fevereiro, 2026
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Déficit primário chega a R$ 20,2 bi em novembro

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O Governo Central registrou déficit primário de R$ 20,2 bilhões em novembro de 2025, desempenho significativamente pior do que o observado em novembro do ano anterior, quando o saldo negativo foi de R$ 4,5 bilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (29) pelo Tesouro Nacional.

O resultado também ficou pior do que as expectativas do mercado, que projetava déficit de R$ 13,5 bilhões.

O dado reforça a leitura de que o ajuste das contas públicas segue dependente de fatores pontuais de receita, enquanto o comportamento estrutural das despesas permanece pressionado.

A decomposição do resultado evidencia a centralidade da Previdência Social no déficit fiscal. A conta ficou assim dividida:

  • Enquanto o Tesouro Nacional apresentou superávit de R$ 1,4 bilhão, a Previdência registrou déficit de R$ 21,3 bilhões.
  • O Banco Central também contribuiu marginalmente para o resultado negativo, com déficit de R$ 239 milhões.

O padrão se repete no acumulado do ano, indicando que o desequilíbrio previdenciário não é conjuntural, mas estrutural, limitando a capacidade de melhora sustentada do resultado primário.

Despesas crescem 4% em termos reais

As despesas totais cresceram 4% em termos reais em novembro, superando o desempenho da arrecadação no mesmo período.

O avanço foi impulsionado principalmente pelos benefícios previdenciários, que somaram R$ 79,37 bilhões, além de aumentos em gastos com pessoal e despesas discricionárias.

Do lado das receitas, a queda real de 2,6% da arrecadação total e de 4,8% da receita líquida revela perda de tração, em parte associada à menor contribuição de receitas extraordinárias.

Arrecadação mostra sinais mistos

Alguns tributos apresentaram desempenho positivo, como IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o Imposto de Renda, sugerindo resiliência parcial da atividade econômica e do mercado financeiro.

No entanto, a forte retração nas receitas de concessões, dividendos e participações reduziu o resultado global, evidenciando a dependência do governo de fontes voláteis para equilibrar o caixa.

Esse padrão reforça a percepção de que a arrecadação corrente ainda não é suficiente para compensar o crescimento estrutural das despesas obrigatórias.

Déficit acumulado

No acumulado de janeiro a novembro, o déficit primário chegou a R$ 83,8 bilhões, mesmo com crescimento real da receita no período.

O fato de as despesas terem avançado em ritmo semelhante ao das receitas impediu uma reversão do resultado, mantendo o déficit em patamar elevado.

Em 12 meses, o rombo de R$ 57,4 bilhões, equivalente a 0,47% do PIB (Produto Interno Bruto), indica que o ajuste fiscal ainda não se traduziu em melhora consistente do indicador em relação à atividade econômica.

Meta fiscal

Apesar do resultado negativo em novembro, o governo mantém a avaliação de que a meta fiscal de 2025 será cumprida, apoiada na expectativa de superávit em dezembro.

A projeção de um saldo positivo de cerca de R$ 20 bilhões no último mês do ano depende fortemente da entrada de dividendos estimados em R$ 13 bilhões.

Excluídas as despesas fora do cálculo da meta, como precatórios, o déficit acumulado recua para R$ 40,4 bilhões, posicionando o resultado dentro da banda de tolerância.

 



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