A defesa do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso completo aos elementos técnicos das perícias feitas em celulares apreendidos durante a Operação Compliance Zero.
O objetivo, segundo os advogados, é permitir que um assistente técnico da defesa realize uma análise independente do material e verifique a eventual existência de irregularidades na obtenção das provas.
O pedido foi protocolado em 16 de fevereiro, antes da nova ordem de prisão contra o banqueiro, determinada na quarta-feira (4) pelo ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao banco no Supremo. Os advogados afirmam que a solicitação ganhou ainda mais importância após a divulgação, na imprensa, de supostas mensagens extraídas dos aparelhos apreendidos.
A defesa diz que as publicações levantam dúvidas sobre a preservação da integridade do material e sobre a possibilidade de manuseio inadequado das informações. Por isso, pede acesso aos dados brutos extraídos dos celulares, às imagens forenses completas, aos laudos periciais, aos registros técnicos de extração e aos códigos de verificação usados para assegurar a autenticidade das evidências digitais.
Segundo os advogados, o objetivo é garantir o respeito às regras de cadeia de custódia das provas digitais e assegurar o pleno exercício do contraditório. A defesa também reiterou preocupação com possíveis vazamentos seletivos de conteúdos que estariam sob sigilo judicial e afirmou que qualquer material obtido será usado exclusivamente no processo.
Reportagens do jornal O Globo, confirmadas pela Folha, indicam que teriam sido trocadas nove mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes em 17 de novembro, data em que o empresário foi preso pela primeira vez. Nas conversas, o banqueiro relataria negociações para tentar salvar o Banco Master, enquanto o ministro teria respondido por meio de mensagens de visualização única.
Moraes divulgou duas notas negando ter recebido qualquer mensagem. Na primeira, classificou as informações como “ilação mentirosa” destinada a atacar o Supremo. Em seguida, a assessoria do tribunal afirmou que as mensagens atribuídas a Vorcaro aparecem vinculadas a pastas de outros contatos do empresário, e não ao ministro.



