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quarta-feira, 6 maio, 2026
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Defesa de Vorcaro entrega anexos de proposta de delação para análise da PF e PGR

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A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, entregou na terça-feira (5) à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF) uma proposta de delação premiada. O conteúdo agora será analisado pelos investigadores, que podem fechar um acordo com o executivo, pedir acréscimos ou rejeitar a colaboração.

Anteriormente,  Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República avaliaram que uma tentativa prévia de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, era insuficiente. Segundo informações dos jornalistas Guilherme Balza e Isabela Camargo, do site G1, as instituições cobraram mais informações do investigado para que ele formalizasse a proposta de delação.

Em resposta a esse pedido, anexos com o conteúdo da delação foram apresentados nesta terça-feira (5) pela defesa de Vorcaro e serão analisados nas próximas semanas. A defesa de Vorcaro participou nesta segunda (4) de uma reunião com a PGR e PF, onde entregou um arquivo com a descrição sumária dos anexos, que são os termos da delação separados por conteúdo.

A proposta consiste em uma sequência de capítulos do que Vorcaro pretende contar às autoridades. Cada anexo se refere a um tema diferente em que os advogados apontam as pessoas envolvidas e meios para se confirmar as respectivas histórias. Não houve a entrega de nenhum documento ou depoimento para corroborar o pedido, o que deve ocorrer se a PGR e a PF concordarem em avançar com o acordo.

Agora, os investigadores vão analisar o conteúdo. Os policiais ainda analisam celulares de Daniel Vorcaro, que está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Caso seja ratificado pela PGR e PF, o acordo precisará passar pelo aval do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master na Corte.

Há uma expectativa entre os investigadores que Vorcaro dê detalhes sobre o envolvimento de políticos e integrantes do Poder Judiciário no suposto acobertamento das fraudes do Master. As autoridades já avisaram que só aceitarão o acordo se o banqueiro entregar informações inéditas que vão além do conteúdo dos seus celulares, que estão em posse da PGR e PF desde o fim do ano passado.

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Proposta preliminar de delação

A proposta inicial de delação foi apresentada há cerca de duas semanas, mas foi considerada inconsistente tanto por policiais federais quanto por procuradores envolvidos no caso.

Na avaliação dos investigadores, o material não trouxe informações novas em relação ao que já havia sido apurado no inquérito da “Operação Compliance Zero”, que levou à primeira prisão de Vorcaro. Os relatos incluíam situações e diálogos já conhecidos pelas autoridades.

Vorcaro também teria deixado de citar nomes que estariam nos níveis mais altos da organização, apesar de esses possíveis envolvidos já terem sido identificados ao longo das apurações. Diante disso, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República fizeram diversas ressalvas ao conteúdo apresentado.

Os investigadores afirmam que precisarão de tempo para analisar os termos apresentados após a formalização do acordo.

Nesse contexto, não há, até o momento, negociação de delação premiada com a defesa do pastor Fabiano Zettel, apontado como braço direito do banqueiro. Interlocutores que acompanham as tratativas avaliam que a movimentação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, no sentido de firmar um acordo, contribuiu para acelerar a estratégia da defesa de Vorcaro.

Sobre a análise de provas, investigadores informam que ainda não foi concluída a perícia nos celulares apreendidos com o banqueiro. Ao todo, a Polícia Federal recolheu oito aparelhos, cujos dados estão sendo extraídos em unidades localizadas em Brasília, São Paulo e Minas Gerais.

Vorcaro

Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. A PF entendeu que se tratava de uma tentativa de fuga.  Um dia depois da prisão do seu dono, o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em razão de uma crise de liquidez e insolvência financeira.

Vorcaro viria a ser liberado da prisão em novembro de 2025. No mês seguinte, o ministro do STF Dias Toffoli acatou a um pedido da defesa de Vorcaro e remeteu o processo ao Supremo sob a sua relatoria, além de decretar sigilo máximo sob os autos.

Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou o caso após a PF encontrar menções a ele no celular de Vorcaro. Ele foi substituído pelo ministro André Mendonça, que em março decidiu prender novamente Vorcaro.

 





ICL Notícias

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