[ad_1]
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
Por Cleber Lourenço
As alegações finais apresentadas pelo general Walter Braga Netto na Ação Penal 2.668, no Supremo Tribunal Federal (STF), contêm trechos que, mesmo elaborados para absolvê-lo, reforçam ligações políticas e factuais com o ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento mistura argumentos jurídicos e narrativas que podem se tornar peças-chave na estratégia acusatória contra o ex-presidente.
Nas páginas 159 e 160, a defesa afirma: “…há conexão com supostos atos praticados por ex-Presidente”, buscando justificar julgamento no Plenário. O reconhecimento dessa conexão cria vínculo direto com Bolsonaro.
Entre as páginas 119 e 121, ao rebater a acusação sobre o grupo de WhatsApp “Eleições 2022@”, a defesa confirma que nele circulou o arquivo “bolsonaro min defesa 06.11 semifinal.docx” e mensagens defendendo que “Jair Bolsonaro teria vencido as eleições com 51,05%”. O texto afirma: “O grupo foi criado por Heinze e contou com a presença de Braga Netto…“, reforçando a relação política.
A cronologia de 12 de novembro de 2022, detalhada nas páginas 84 e 85, registra: “Reunião virtual com Jair Bolsonaro às 15h… Mauro Cid esteve na casa do réu apenas após as 16h“. Essa sequência documenta proximidade entre agendas do núcleo militar e de Bolsonaro.
Nas páginas 131 e 132, sobre o vídeo no Palácio da Alvorada (“vocês não percam a fé”), a defesa relata: “O réu sabia que o PL entraria com representação no TSE, o que ocorreu quatro dias depois“. O trecho conecta a sede da Presidência a ações jurídicas do partido.

Braga Netto e Jair Bolsonaro
Nas páginas 115 a 118, citando a PGR: “O Partido Liberal, Jair Messias Bolsonaro e Walter Souza Braga Netto protocolaram a inicial no TSE… a organização criminosa sabia do falseamento“. Braga Netto afirma que seu nome constou por integrar a chapa, mas o ato o vincula formalmente a Bolsonaro.
Sobre o suposto pedido de R$ 100 mil, páginas 93 a 97 e 99, a defesa registra: “Braga Netto encaminhou o pedido ao tesoureiro do PL, que recusou“. Mesmo negando irregularidade, mantém o PL — e o entorno de Bolsonaro — na narrativa.
Na página 53, ao contestar, a defesa reproduz: “organização criminosa liderada por Jair Bolsonaro“, perpetuando a associação no próprio documento.
Por fim, ao tentar afastar Braga Netto de contatos com acampados e ataques virtuais, o texto admite que tais ações são atribuídas a outros, abrindo margem para a PGR direcionar o foco ao ex-presidente.



