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terça-feira, 19 maio, 2026
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DataFolha volta a campo e corrigirá pesquisa que não deveria ter divulgado

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A pesquisa DataFolha que abre campo na quarta-feira, 20 de maio, e o fecha dois dias depois, na sexta-feira, 22 de maio, a fim de investigar a temperatura da intenção de voto presidencial dos eleitores brasileiros, contém em seu questionário seis perguntas  sobre as relações íntimas de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro acusado de grossas corrupções e portentosos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, Daniel Vorcaro.

Há nas planilhas outras sete questões cujas respostas levarão a empresa a traçar um diagnóstico da opinião do eleitor sobre as bets, as casas de apostas por aplicativos que envenenaram a economia popular e a saúde financeira das famílias brasileiras.

Na meia dúzia de questões acerca da intimidade financeira ente o candidato PL à presidência e o ex-controlador do liquidado Banco Master, o que se perguntará ao eleitor é xoxo e o que não será perguntado é eloquente.

 

QUESTIONÁRIO AINDA FROUXO

Depois de respondidas as questões de intenções de voto, no 3º item da pauta de perguntas é o que segue:

  • “Na semana passada foram divulgadas conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atualmente preso pela Polícia Federal sob suspeita de fraude financeira. Nessas conversas, Flávio Bolsonaro pedia dinheiro a Daniel Vorcaro para fazer um filme sobre a vida do seu pai, Jair Bolsonaro. As conversas foram retiradas do celular de Daniel Vorcaro. Você tomou conhecimento desse fato? (SE SIM) Você diria que está bem informado, mais ou menos informado ou mal informado sobre esse assunto?”

As alternativas de respostas são escassas:

1.      Tomou conhecimento e está bem informado.

2.      Tomou conhecimento e está mais ou menos informado.

3.      Tomou conhecimento e está mal informado.

4.      Não tomou conhecimento.

A 4ª questão amplia o espectro da investigação sobre o impacto das revelações do áudio e das mensagens da semana passada, nos quais o “filho 01” do ex-presidente da República preso por golpe de Estado chama Vorcaro pelo prenome – “Daniel” –, desculpa-se por incomodá-lo “num momento tão complicado” (as denúncias de corrupção que já surgiam e o processo fraudulento de aquisição do Master pelo BRB), e pede US$ 24 milhões, ou R$ 135 milhões, de ajuda financeira. O DataFolha formulou assim a pergunta:

  • “Flávio Bolsonaro confirmou a existência das conversas e afirmou que não ofereceu ou recebeu vantagens. Disse ser apenas “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. Na sua opinião, Flávio Bolsonaro agiu bem ou agiu mal ao pedir dinheiro para Daniel Vorcaro para fazer um filme sobre a vida de seu pai?”

Na sequência, três restritas alternativas de respostas:

1.      Agiu bem.

2.      Agiu mal.

3.      Não sabe.

A 5ª pergunta fecha um pouco mais o foco sobre o tema que deverá eclodir explosivo contra Flávio Bolsonaro quando o conjunto tabulado e metrificado de respostas vier à luz, na sexta-feira 22:

  • “Em uma das conversas divulgadas, Flávio Bolsonaro diz para Daniel Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”. Na sua opinião, Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro têm ou não uma relação próxima?”

E as respostas possíveis:

1.      Sim, eles têm uma relação próxima.

2.      Eles não têm uma relação próxima.

3.      Não sabe.

Depois dessas questões, os entrevistadores do DataFolha ainda perguntarão se o entrevistado pretendia votar, ou não, no candidato do PL antes da divulgação das conversas íntimas entre ele e Vorcaro, se a divulgação do teor da amizade entre o senador fluminense e o ex-banqueiro fez aumentar ou diminuir a confiança do eleitor no filho 01 do clã Bolsonaro e se Flávio Bolsonaro deveria manter ou retirar sua candidatura. Caso a opção do eleitor ou eleitora pesquisado seja pela retirada, ele ou ela escolheriam quem dentre esses nomes apresentados no cartão de entrevista?

a)      Eduardo Bolsonaro.

b)     Michele Bolsonaro.

c)      Romeu Zema.

d)     Ronaldo Caiado.

e)      Nenhum.

f)        Não sabe.

g)      Oura resposta.

 

O QUE FALTA NO ROL DE PERGUNTAS

Não se pergunta, na lata, algo como “você acredita que Flavio Bolsonaro se compromete em combater a corrupção?”, ou, por outra, “o fato de ele ter pedido financiamento para uma pessoa já conhecida por envolvimento em um caso de corrupção muda sua percepção?”.

Essas questões fazem falta no contexto geral da nova pesquisa DataFolha que está indo às ruas para tentar recuperar um pouco o dano à imagem e à credibilidade da empresa da família Frias de Oliveira (que edita o jornal Folha de S Paulo e é responsável pelo portal UOL).

Na sexta-feira 15 de maio, sem explicar por que o faziam, os editores do jornal paulista e das Organizações Globo, do Rio de Janeiro, contratantes da pesquisa, decidiram não a publicar. Mudaram de ideia no sábado e, no início da tarde, divulgaram-na de forma enviesada, envergonhada, sem destaque e com medo de assumir o óbvio: a pesquisa DataFolha da semana passada devia ter sido abortada antes de voar para as redações da mídia tradicional com o campo de entrevistas tendo se encerrado às 18h do dia 13 de maio, justo a quarta-feira na qual o áudio com a conversa íntima de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro emergia nos sites da mídia digital independente a partir do furo de reportagem do The Intercept Brasil e junto com a troca de mensagens confessionais entre ambos, via WhatsApp.

Por que o aborto da pesquisa natimorta não foi levado a cabo pelos executivos do DataFolha, da Folha de S Paulo, do UOL, da TV Globo, do G1? A resposta é simples: porque não há mais capacidade de antevisão do cenário futuro dentro das redações da mídia tradicional. E as redações que contrataram o DataFolha são justamente as capitães-do-mato (mato sem cachorro, só com asnos perdidos). A empresa de pesquisa da família Frias de Oliveira vem destroçando o legado de credibilidade e de imparcialidade construído ao longo de 40 anos, de muita rigidez científica que ficou para trás, assim como a higidez política morta por atropelo das calendas gregas.

A divulgação do novo DataFolha, contratado ao custo de R$ 307 mil reais a serem pagos pelo centro de custos da Folha de S Paulo, ocorrerá no início da noite da sexta-feira 22 de maio. É óbvio que, desta vez, os defensores da candidatura extremista de Flávio Bolsonaro escondidos sob o manto da idiotia da objetividade estéril que grassa em algumas redações não conseguiram tapar com peneiras o sol das revelações da intimidade do candidato do PL com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele brilhará pelos furos da urupema – e quando isso acontecer, higienizará um pouco mais o horizonte político ao mensurar a escala de derretimento do “ouro de tolo” do clã Bolsonaro.





ICL Notícias

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