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sábado, 23 maio, 2026
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Crise do Master racha grupos de Flávio Bolsonaro e Michelle

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Por Augusto Tenório 

(Folhapress) – A crise causada pela revelação da relação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, reacendeu o racha entre o grupo do pré-candidato à Presidência e o entorno da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

Pessoas próximas à esposa de Jair Bolsonaro (PL) relatam descontentamento e adotam uma postura de distanciamento do filho 01 do ex-presidente.

Segundo lideranças do PL ouvidas pela Folha sob reserva, o estouro da crise do Master fez com que a bandeira branca hasteada por Flávio e Michelle fosse novamente recolhida. A ex-primeira-dama era vista como presidenciável, mas foi rifada pelo marido, que preferiu lançar o próprio filho ao Palácio do Planalto.

De acordo com interlocutores de Michelle, ela tem tentado se manter longe do assunto e das especulações no PL de que poderia substituir Flávio caso o senador se torne inviável.

Michelle em evento político

Nesta semana, Michelle foi a um evento de lançamento da pré-campanha da doceira Maria Amélia para a vaga de deputada federal pelo Distrito Federal. Ao ser questionada sobre a crise do Master, ela não defendeu Flávio.

“Não estou me metendo nisso, não. Tenho que cuidar do meu marido”, respondeu. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A ex-primeira-dama tem se dedicado aos cuidados do ex-presidente, que voltou para casa por questões de saúde. “O Flávio você tem que perguntar para ele”, completou, ao ser questionada sobre o assunto.

Michelle tem exercido influência nos caminhos do partido no DF. Ela é pré-candidata ao Senado e tem fortalecido um núcleo duro no seu entorno, mas apoia também candidaturas esporádicas em outros estados.

A crise do Master abalou a pré-candidatura de Flávio. Foram publicados áudios e mensagens nos quais o senador pede dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, uma espécie de biografia para contar a história de como Jair Bolsonaro chegou ao poder.

O impacto negativo da revelação foi amplificado porque Flávio havia dito a aliados que não tinha esqueletos no armário com relação ao Master. Horas antes, chegou a afirmar que um jornalista mentiu ao questioná-lo sobre o pedido de recursos.

Dias depois, foi revelado um encontro de Flávio com Vorcaro na casa do então dono do Master, pouco depois da primeira prisão do ex-banqueiro. O senador relatou que foi ao encontro do empresário para finalizar a relação com o investidor do filme.

Michelle e outros aliados de Flávio, principalmente aqueles de fora do PL, têm adotado cautela e distanciamento do senador. O temor é que novas revelações sejam feitas sobre sua relação com Vorcaro. Diante da crise de confiança, uma ala minoritária acreditou quando o parlamentar afirmou, novamente, que não haveria mais nada a ser revelado sobre o assunto.

Sob reserva, dirigentes partidários avaliam que ainda há muitas pontas soltas e perguntas sem respostas sobre a relação de Flávio com o ex-dono do Banco Master. Dessa forma, preveem a divulgação de novos fatos sobre conversas e o destino do dinheiro investido pelo banqueiro no filme, que poderiam render mais dores de cabeça ao pré-candidato do PL.

Na primeira pesquisa Datafolha publicada após o escândalo, nesta sexta-feira (22), o presidente Lula ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre Flávio Bolsonaro, na simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival.

A pré-campanha de Flávio minimizou a queda nas intenções de voto, apontando que o resultado foi melhor que o esperado e que Lula no segundo turno oscilou para cima, mas dentro da margem de erro.

O recuo de quatro pontos percentuais no primeiro turno foi tratado por dois aliados de Flávio como “um arranhão”. A pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios do Brasil nos dias 20 e 21 de maio; a margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.





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