Com faturamento de R$ 78,56 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, Polo Industrial de Manaus impulsiona fornecedores, empregos e investimentos em diversos estados brasileiros
Região deve gerar um faturamento total de R$ 247 bilhões em 2026
CIEAM destaca que crescimento da indústria amazonense beneficia cadeias produtivas em todo o país, especialmente em São Paulo
Avanço do Polo Industrial movimenta fornecedores, amplia exportações e fortalece a competitividade da indústria nacional
Quando a indústria de Manaus cresce, empresas de diversos estados brasileiros também crescem junto. Esse é um fato que reforça, com dados reais, a importância da Zona Franca de Manaus (ZFM) como instrumento de desenvolvimento nacional. Responsável pela fabricação de eletroeletrônicos, bens de informática, motocicletas, bicicletas, produtos químicos e termoplásticos, entre outros itens, o Polo Industrial de Manaus (PIM) depende de uma extensa rede de fornecedores espalhados pelo país. São Paulo ocupa posição de destaque nesse processo, fornecendo componentes, máquinas, embalagens, tecnologia, serviços especializados e soluções logísticas para as indústrias instaladas na capital amazonense.
“O PIM é o maior cliente da indústria paulista fora de São Paulo. Desde a implantação da ZFM, jamais operamos como uma ilha produtiva”, destaca Lúcio Flávio, presidente executivo do CIEAM (Centro da Indústria do Estado de Amazonas). Ao longo dos anos, Manaus consolidou-se como um elo de uma extensa cadeia nacional de fornecedores. máquinas, equipamentos, componentes eletrônicos, embalagens, softwares industriais, sistemas logísticos, serviços especializados e insumos diversos que chegam diariamente ao Amazonas vindos do Sudeste.
De acordo com dados oficiais da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), São Paulo fornece mais de R$ 35 bilhões por ano em insumos ao Polo Industrial de Manaus. Essa cifra supera o total que a região importa de muitos países. Cada nova fábrica instalada em Manaus representa novas encomendas para fornecedores paulistas. Para o CIEAM, portanto, a relação entre Manaus e São Paulo demonstra que a ZFM não é um modelo isolado, mas um importante instrumento de integração econômica nacional.
Segundo a entidade, a competitividade da indústria instalada na Amazônia estimula a circulação de riquezas entre diferentes regiões, fortalecendo fornecedores, transportadoras, centros de pesquisa, empresas de tecnologia e prestadores de serviços.
Novas oportunidades para a indústria paulista
No caso de São Paulo, essa integração é ainda mais evidente. Componentes eletrônicos, máquinas industriais, embalagens, softwares, equipamentos e serviços especializados produzidos em polos como Campinas, Jundiaí, Sorocaba, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Região Metropolitana de São Paulo abastecem as linhas de produção instaladas em Manaus. A ampliação de uma fábrica e os lançamentos de novos produtos no PIM representam novas oportunidades de negócios para empresas paulistas e de outras regiões do país.
“A ZFM não compete com São Paulo. Pelo contrário: ela movimenta a economia paulista. O crescimento da produção em Manaus gera demanda por insumos, tecnologia, equipamentos e serviços produzidos em diversos centros industriais brasileiros. É uma relação de complementaridade que fortalece a indústria nacional como um todo”, destaca Lúcio Flávio.
Os impactos, no entanto, não se limitam à economia. O modelo também desempenha papel estratégico para a preservação ambiental. Ao gerar emprego formal, renda e arrecadação na Amazônia, a Zona Franca contribui para manter 97% da floresta em pé e promover desenvolvimento sustentável na região.
A importância dessa preservação ultrapassa as fronteiras amazônicas. A floresta influencia diretamente os regimes de chuva que abastecem áreas agrícolas, reservatórios e centros urbanos do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Esse cenário gera os chamados “rios voadores”, que são correntes atmosféricas que transportam umidade para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Essas chuvas abastecem reservatórios, alimentam hidrelétricas e sustentam boa parte da produtividade agrícola nacional. Portanto, com a floresta preservada, os benefícios chegam às lavouras do Centro-Oeste, aos sistemas de abastecimento urbano do Sudeste e à matriz energética brasileira.
“Quando falamos da Zona Franca de Manaus, estamos falando de um modelo que combina produção industrial, desenvolvimento regional e conservação ambiental. É uma iniciativa que gera empregos, movimenta a economia nacional e contribui para a preservação de um ativo natural estratégico para todo o Brasil”, afirma o presidente executivo do CIEAM.
Para Lúcio Flávio, compreender essa interdependência é fundamental para qualificar o debate sobre a política industrial brasileira. “Não estamos falando apenas de um modelo regional. Estamos falando de uma política de desenvolvimento nacional, que conecta fornecedores, gera empregos, impulsiona inovação e distribui oportunidades econômicas por todo o país. A Zona Franca de Manaus é um ativo estratégico do Brasil”, destaca.
Os números mais recentes comprovam o sucesso da ZFM. Dados do Painel da Economia Amazonense (PEA) mostram que o PIM faturou R$ 78,56 bilhões entre janeiro e abril de 2026, resultado 4,4% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A região deve alcançar faturamento total de R$ 247 bilhões em 2026.
“Os números falam por si. Crescimento do faturamento, avanço das exportações e manutenção de mais de 130 mil empregos demonstram que o PIM continua sendo um dos motores da indústria brasileira. Defender esse modelo é defender a geração de riqueza, inovação e oportunidades para o país”, afirma Lúcio Flávio.
Apesar desses bons números, vale lembrar que São Paulo possui cerca de 171 mil indústrias, contra pouco mais de 4 mil do Amazonas. O PIM, por sua vez, reúne, aproximadamente, 600 fábricas de grande porte. Além disso, segundo os dados mais recentes, de 2023, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a participação de cada estado na economia brasileira aponta que São Paulo lidera disparado o ranking nacional, com 31,1%, enquanto o Amazonas representa apenas 1,4%. Ou seja: São Paulo ainda produz cerca de 22 vezes mais riqueza do que o Amazonas.
Sobre o CIEAM
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) é uma entidade empresarial com personalidade jurídica, ligada ao setor industrial, que tem por objetivo atuar de maneira técnica e política em defesa de seus associados e dos princípios da economia baseada na Zona Franca de Manaus (ZFM). Implementada pelo governo federal em 1967, com o objetivo de viabilizar uma base econômica no Amazonas e promover melhor integração produtiva e social entre todas as regiões do Brasil, a Zona Franca de Manaus é um modelo de desenvolvimento regional bem-sucedido que devolve aos cofres públicos mais da metade da riqueza que produz. Atualmente, são 600 empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). O estado do Amazonas tem 578.208 mil empregos, dos quais 134 mil são diretos do PIM e garantem a preservação de 97% da cobertura florestal do Amazonas. Encerrou 2025 com um faturamento de R$ 228 bilhões.